<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-35633147</id><updated>2009-09-18T17:20:44.255-03:00</updated><title type='text'>_TeXtOs &amp; CiA_</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://textosecia.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosecia.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Adriano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11915479602406072650</uri><email>noreply@blogger.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>20</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35633147.post-2326600160139528880</id><published>2008-03-09T16:30:00.001-03:00</published><updated>2008-07-11T07:59:29.899-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#663333;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;19.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eduardo tentava aos poucos se concentrar nas alterações que havia feito naquela manhã. Precisava urgentemente se distrair. Mas sabia que digitá-las não tomaria mais do que trinta minutos do seu tempo. Logo teria o resto da tarde para compartilhar com Cláudio. Não havia ritual algum pré-estipulado que os obrigasse a interagir. Longe disso. Avançavam-se as horas e cada um as preenchia da melhor forma possível. Cláudio cumpria suas funções e passava o resto da tarde entre um programa e outro na televisão e o prazer de ir a cada intervalo comercial contar a Eduardo o que acabara de assistir enquanto este, na maioria das vezes, o fulminava com os olhos ou simplesmente o ignorava.&lt;br /&gt;Agora nem isso era possível. Ignorar Cláudio seria afastara única pessoa que tentou sinceramente se aproximar dele, sem julgamentos. Era tão mais fácil para Eduardo se Cláudio não houvesse revelado que sabia de tudo. Qualquer comentário costumava ser facilmente rebatido com o clichê “Você não sabe nada da minha vida...”, acreditando que estas poucas palavras batidas o fizessem calar. E sempre obtinha esse resultado. Pelo menos era o que pensava. Não se tratava de Cláudio não possuir argumentos para rebater tais palavras; simplesmente respeitava a posição de Eduardo. Respeitava sua necessidade de ficar isolado. De carregar consigo uma culpa imaginária por tudo o que aconteceu. Não entendia. E quando possível soltava um “Pára de carregar o mundo nas costas!”. E Eduardo se valia da suposta ignorância de Cláudio sobre tudo para se permitir seguir vivendo, sobrevivendo da única forma que achava justa, como uma punição por ter sido tão egoísta. Se ao menos não houvesse insistido para que ficassem, até o último momento possível, juntos antes da viagem... Se ao menos tivesse atendido ao pedido de Anna para irem embora mais cedo... Se ao menos tivessem destinado alguns poucos minutos a mais para que Anna pudesse apreciar mais a lua... Mas a queria toda para si. “Teria sido somente três meses...” lembrava-se desde o primeiro minuto ao acordar até o último segundo antes de se deixar vencer pelo sonho. Teria sido somente três meses, que se multiplicaram até formarem uma década. Sem Anna. Por seu egoísmo. E não se permitiria esquecer disso.&lt;br /&gt;E agora Cláudio. Novamente seu egoísmo. Cláudio representava amigo que não tinha. Que um dia fora papel de Fernanda. Somente agora tinha consciência. Nunca perdoara Fernanda. Não se deixara compreender suas atitudes, suas limitações em meio a tudo o que acontecera. Impôs-se uma forma, um padrão a todos em seu redor. E com isso ficou sem seus dois grandes apoios no passado. Talvez fosse hora de se tornar um pouco mais maleável. Permitir-se. Não conseguira se fazer inatingível como pensava. Destinara-se pouco espaço. E haveria sempre uma brecha. Uma fratura na muralha que construíra. Sempre conseguiriam alcançá-lo. Após tantos anos, um simples pedaço de papel o fez perceber: seu isolamento se tornara claustrofóbico, infrutífero. Eduardo compreendera que não atravessaria por uma simples brecha. Nem pelo espaço de um tijolo derrubado. Precisaria romper a distância por completo. Não podia mais ignorar. Seria inconseqüente e perigoso, com resultados desastrosos. Não poderia mais negar. Deveria se permitir. E começaria por Cláudio antes que não pudesse novamente voltar atrás. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35633147-2326600160139528880?l=textosecia.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosecia.blogspot.com/feeds/2326600160139528880/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=35633147&amp;postID=2326600160139528880&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/2326600160139528880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/2326600160139528880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosecia.blogspot.com/2008/03/19.html' title=''/><author><name>Adriano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11915479602406072650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='08821558890715421967'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35633147.post-3879590188868078172</id><published>2008-01-08T22:05:00.001-02:00</published><updated>2008-07-11T08:03:15.450-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#663333;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;18.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13:10. Os intervalos para almoço já estavam quase terminando. André já havia ido à lanchonete da esquina e em menos de dez minutos estava de volta à empresa, tentando aproveitar ao máximo o tempo que lhe sobrara para não se atrasar no final da tarde. Laura, como em todo horário de almoço, sentou-se sozinha na praça em frente à editora, em um banco qualquer a sombra de uma árvore qualquer, desta vez se deliciando com a salada que havia preparado na noite anterior e que havia deixado, enquanto não chegava seu intervalo para almoço, dentro da geladeira, na sala de refeições destinada aos funcionários da editora. Fernanda observava pacientemente o vapor que subia lentamente acima da pequena xícara de chá que pedira momentos antes. Aproveitava a quietude da praça para se permitir alguns minutos do mais puro e relaxante nada. E assim, cada um, a sua forma, preenchia os minutos que antecediam o início de mais um período de trabalho antes de se prepararem para a festa surpresa logo à noite.&lt;br /&gt;Eduardo e Cláudio ainda compartilhavam alguns longos minutos a mesa. Não havia muito tempo que se sentaram à mesa, em cantos opostos. A refeição preparada por Cláudio estava um tanto agridoce e constrangedoramente fria, apesar dos vapores ainda se manifestarem em um canto ou outro das panelas. Eduardo fixou os olhos no pouco de comida que havia em seu prato. Evitava ao máximo que seu olhar e o de Cláudio se cruzassem. Não queria um segundo ato. Cláudio o fitava entre um e outro momento. Podia-se até pressupor não haver mais ninguém em toda a casa. “Como pode agir assim? Ignorar tudo o que acontece ao seu redor?” intrigava-se. Cláudio não acreditava que alguém pudesse ser tão inatingível assim. Eduardo mesmo já lhe havia provado que não o era. Ainda havia frestas em sua redoma de proteção, pelas quais incômodos feixes de realidade conseguiam lhe retirar o ar.&lt;br /&gt;“Nada disso! Pode comer mais alguma coisa. A tarde promete ser longa...” disse Cláudio numa tentativa de diluir o peso do ar que os cercava. Mas nem assim conseguiu obter um gesto sequer indicativo de que Eduardo estivesse ciente de sua presença naquele cômodo. E nem teve tempo de uma segunda tentativa. Logo, Eduardo teria se levantado, buscado um pouco de água a poucos centímetros de onde Cláudio se encontrava e voltado ao seu mundo de vocábulos, de regras gramaticais e de tudo mais que tanto apreciava. Sozinho, logo Cláudio concluiria que, assim como a todos os outros, mais um período se anunciava, trazendo mais a ser feito. Uma fração a mais do dia. Um passo que aproximava a noite. Noite esta que abrigaria uma comemoração sobre a qual Cláudio não tinha mais certeza.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35633147-3879590188868078172?l=textosecia.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosecia.blogspot.com/feeds/3879590188868078172/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=35633147&amp;postID=3879590188868078172&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/3879590188868078172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/3879590188868078172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosecia.blogspot.com/2008/01/18.html' title=''/><author><name>Adriano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11915479602406072650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='08821558890715421967'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35633147.post-160240399516309778</id><published>2007-11-25T23:00:00.001-02:00</published><updated>2008-07-11T08:15:07.340-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#663333;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;17.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eduardo já havia terminado tudo o que tinha de fazer. Ou melhor, quase tudo. Ainda faltava corrigir o arquivo no computador. Mas não conseguida se concentrar mais. Deixou-se imóvel em uma poltrona em que costumava se sentar para ler, ouvido, eventualmente, Cláudio na cozinha. “Pelo cheiro, já deve estar tudo pronto.” imaginava. Se dependesse de Eduardo, não haveria almoço. Não sentia fome. Não sentiria por alguns dias provavelmente... Não queria, contudo, chegar a extremos novamente. Conhecia por completo aquela situação. Suas conseqüências. As reações dos que os cercavam. Se bem que agora havia somente Cláudio. Diretamente ao menos. E ele nunca o deixaria chegar aos extremos: ao notar qualquer mudança, qualquer sinal que pudesse prenunciar algo, Cláudio não sairia do lado de Eduardo; seria sua nova sombra; seria a razão que lhe faltara anteriormente. “Incrível como alguém que mal me conhece, que é pago para conviver comigo se preocupa tanto” admirava-se Eduardo. Havia algo na natureza de Cláudio que o tornava tão diferente dos demais. Pelo menos na percepção de Eduardo, Cláudio era uma daquelas figuras míticas que se encontram somente em lendas antigas sobre a bondade humana.&lt;br /&gt;Eduardo ainda divagava sobre a natureza de Cláudio em meio à diversidade hipócrita com a qual convivera durante os anos quando o próprio atirou-se repentinamente pela porta do escritório, avançando rapidamente em direção de Eduardo, aprisionando-o naquele pequeno espaço coberto por couro. Eduardo nunca havia presenciado comportamento parecido. Não de Cláudio. Nem mesmo nas tantas vezes que conseguira tirá-lo do sério com seus comentários. Algo ocorrera. E logo saberia.&lt;br /&gt;“Que isso! Não te deram educação, não?” tentou ironizar.&lt;br /&gt;“Nada de gracinhas! Quero saber o que aconteceu!” ordenou Cláudio endireitando Eduardo na poltrona.&lt;br /&gt;“Hei! Vamos tirando a mão! Não tem nada aqui para saber! Quem te deu essa liberdade??”&lt;br /&gt;“Pára de bancar o esnobe reservado! Algo aconteceu enquanto estava fora!”&lt;br /&gt;“Claro que aconteceu: a paz voltou a reinar aqui. Pelo menos por algumas horas...” disse Eduardo se levantando, forçando Cláudio a se afastar. Cláudio havia percebi algo no comportamento de Eduardo que buscava a todo custo desviar os rumos daquela conversa. Para Eduardo, era inaceitável que qualquer um o confrontasse daquela forma e, ignorando a própria presença de Cláudio, dirigiu-se sua mesa de trabalho, ligou o computador e sentou-se. Cláudio enfureceu-se. Compreender como Eduardo conseguia agir como se nada houvesse acontecido, como podia ignorar por completo uma situação como aquela, era impossível para alguém como Cláudio. Não que fosse um intrometido ou um curioso. Ou um curioso intrometido. Ou um intrometido curioso. Cláudio realmente se preocupava com Eduardo e se abismava como ele fazia de tudo para afastá-lo.&lt;br /&gt;“Eu já vi o envelope, a foto e o bilhete...” começou a falar em um tom mais moderado, “... e eu também sei de tudo o que já aconteceu. Ou você achou que sua mãe iria me contratar sem me explicar o que eu deveria fazer aqui?!?!”, interrompeu-se, jogando-se na poltrona. “Será que pelo menos uma vez poderíamos parar com esse jogo?” suspirou Cláudio ante a atitude que presenciara.&lt;br /&gt;Eduardo ainda continuava sentando. De costas a Cláudio. Sem conseguir se mover. Podia ver o reflexo de Cláudio, curvado, apoiando os cotovelos nas coxas, segurando o rosto com as duas mãos, esperando por uma resposta. Resposta que Eduardo não conseguira dar. Não ali. Foi a primeira vez que alguém se realmente preocupava com ele. Que se interessava em ajudar no combate com seus os demônios internos. Não sabia como reagir à sinceridade contida no pedido de Eduardo. Pelo reflexo pôde vê-lo se levantar derrotado. Sentiu um de suas mãos em seu ombro. “O almoço está pronto! Vamos antes que ele esfrie ainda mais.” foram as palavras de Cláudio antes de sair decepcionado pela porta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35633147-160240399516309778?l=textosecia.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosecia.blogspot.com/feeds/160240399516309778/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=35633147&amp;postID=160240399516309778&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/160240399516309778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/160240399516309778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosecia.blogspot.com/2007/11/17.html' title=''/><author><name>Adriano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11915479602406072650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='08821558890715421967'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35633147.post-179129818285480515</id><published>2007-10-13T23:39:00.000-03:00</published><updated>2007-10-13T23:40:36.277-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="color:#663333;"&gt;&lt;em&gt;16.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12:30. Provavelmente já estariam almoçando se não tivesse se atrasado. O dia estava prometendo imprevistos. Eduardo ainda se encontrava trancado no escritório. Não tivera coragem de ir perturbá-lo uma vez que fosse. Contudo esse isolamento lhe garantiu livre acesso aos demais ambientes e aos seus respectivos móveis e objetos. Isso incluía a sala e um certo envelope. Preferindo ter certeza de que Eduardo não o pegaria bisbilhotando, acabou por se entreter na cozinha. Iria fazer só uma macarronada. Depois descascou algumas batatas, cortou-as e as fritou. Para completar, fez uma salada com algumas verduras e legumes – os preferidos de Eduardo, claro, e espremeu algumas laranjas. Distraiu-se tendo certeza de que o molho estava bem temperado, as batatas crocantes, a salada suculenta e o suco gelado e doce na medida certa. Tudo para agradar Eduardo e afastar o que quer que fosse que houvesse retirado o brilho daqueles olhos.&lt;br /&gt;Agora estava tudo pronto. Iria chamar Eduardo e aproveitaria para tentar descobrir o que se passava. Silenciosamente dirigiu-se a sala. Ao local exato onde avistara o envelope pela primeira vez. Abaixou-se. Não havia remetente que o pudesse ajudá-lo a entender o que se passava. Sentiu-se desanimado. Observou ao seu redor. As almofadas no sofá. As folhas de jornais. “Haveria algo ali capaz de indicar o que se passa??” duvidava. Sentou-se na ponta de uma das almofadas. Teria que se conformar. Provavelmente nunca saberia o que se passou ali enquanto estava fora. Com um leve suspiro, pôs-se a arrumar a bagunça deixada por Eduardo. Pegou o envelope primeiro; o jornal depois. Entre uma folha de jornal e outra viu algo reluzir. Não sabia ao certo o que era. Esticou um dos braços para alcançá-la.&lt;br /&gt;“Olha só a cara de menino...”, disse em voz baixa. “Olha só que safadinho!”, continuou sorrindo, referindo-se a menina com a qual se encontrava abraçado na foto. Estava tão acostumado com a imagem séria, de ar pesado que carregava atualmente que, para Cláudio, era curioso ver Eduardo tão descontraído. Pôs a foto a seu lado e continuou a dobrar folhas de jornais. Levantou-se e as deixou no aparador. Voltou-se novamente à sala. Viu um pedaço de papel caído, perto de onde estava. “Deve ter caído de alguma das folhas do jornal”, pensou ao se aproximar. Estranhou ler apenas “Feliz Aniversário” em um dos lados. Pesou as informações. O envelope, a foto e o bilhete estavam relacionados com o estranho humor de Eduardo. Teria de saber o que se passava. Levantou-se e foi ao seu encontro, deixando o almoço esfriando em cima da mesa da cozinha.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35633147-179129818285480515?l=textosecia.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosecia.blogspot.com/feeds/179129818285480515/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=35633147&amp;postID=179129818285480515&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/179129818285480515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/179129818285480515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosecia.blogspot.com/2007/10/16.html' title=''/><author><name>Adriano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11915479602406072650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='08821558890715421967'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35633147.post-205142465934051392</id><published>2007-10-07T22:01:00.000-03:00</published><updated>2007-10-07T22:03:23.531-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#663333;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;15.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernanda não havia se convencido de que tinha feito a escolha certa. Eduardo sempre fora discreto em relação a sua vida. Mesmo antes de tudo o que acontecera. E ainda se sentia deslocada pelo fato de sua reaproximação ter sido, inicialmente, imposta por seus pais. Não que estivesse sendo falsa com Eduardo. Sempre lhe agradara a sensação de segurança que tinha quando Eduardo estava por perto. Mas tudo ocorrera em uma época não tão apropriada. Não que houvesse época apropriada para uma tentativa de suicídio. Fernanda estava de partida. Iria ao sul, cursar psicologia. Já estava tudo certo. E confiara tacitamente a Anna a missão de acompanhar seu quase-irmão enquanto estivesse fora. Mas tudo ocorrera como ocorrera. Não haveria forma alguma de prever. E não podia voltar. Abandonar tudo...&lt;br /&gt;Sabia que Eduardo teria abandonado tudo por ela. Para cuidar. Proteger. Apoiar. E essa certeza a assombrava. “Ele teria se posto a meu lado.”, repetia constantemente. Foram quatro anos sem se ver. Mas alguns outros até adaptar a sua vida adulta. E, nesse período exato de conflitos e incertezas, que a intimaram a se reaproximar. “Não podemos deixar que passem por isso tudo sem ter alguém próximo o suficiente para confiarem.”, repetia sua mãe incessantemente. Não queriam que ela o tratasse. Não diretamente. Queriam se aproveitar dos seus conhecimentos e de sua proximidade com Eduardo para evitar certas discussões com estranhos.&lt;br /&gt;O empenho maior nessa situação era o de sua mãe. Esta se sentia, de alguma forma, em dívida devido à atitude de sua filha. Nos primeiros meses, sua mãe marcara alguns jantares especiais, após os quais Fernanda se via obrigada a relatar suas impressões a cerca de Eduardo. Não havia muito que fazer. Algumas vezes ao mês se sentava com Eduardo em algum lugar da cidade. Estas situações resultavam em muito pouco além de uma desagradável sensação. Nada era como antes. Eduardo já havia se isolado. E Fernanda não deixava de ter a impressão de que aqueles olhos azuis não haviam perdoado sua ausência durante todos aqueles anos. Fernanda não insistia. Não por não o querer ajudar. Não queria ter informações mais profundas que, depois, em um daqueles jantares macabros, acabasse por compartilhar.&lt;br /&gt;Sua preocupação, contudo, não durou muito. Logo a família de Eduardo perdera o interesse em escutar Fernanda em suas observações mecânicas e superficiais sobre Eduardo. Havia diversos lugares em que precisavam estar e não trocariam nenhuma destas viagens por algumas horas discutindo o filho. Já o haviam categorizado como problemático. E somente os interessava não ter que lidar com outro escândalo.&lt;br /&gt;Fernanda passou, então, a se sentir mais tranqüila com relação a esses encontros. Sim, os encontros continuaram. Gostava de estar com Eduardo. Sentia falta mesmo do silêncio. Aos poucos o mecanicismo foi vencido e uma naturalidade foi atingida, ainda que fosse superficial a interação. Fernanda não iria um milímetro além do que Eduardo a permitia. Passava a maior parte do tempo ouvindo-o comentar algo, ou mesmo observando-o em silêncio. Este ficara um pouco mais falante após começar o convívio com Cláudio. “Qualquer um ficaria...” brincava consigo mesma. Mesmo assim não se sentia pronta. Ou talvez digna.&lt;br /&gt;Como prometera a Cláudio que iria, não poderia voltar a trás a menos que quisesse escutá-lo por algumas horas. Já havia fugido uma vez. E estava disposta a apagar ao máximo esse evento de sua vida; mesmo que fosse começando com um pequeno passo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35633147-205142465934051392?l=textosecia.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosecia.blogspot.com/feeds/205142465934051392/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=35633147&amp;postID=205142465934051392&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/205142465934051392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/205142465934051392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosecia.blogspot.com/2007/10/15.html' title=''/><author><name>Adriano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11915479602406072650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='08821558890715421967'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35633147.post-6251936631844084485</id><published>2007-09-29T23:02:00.000-03:00</published><updated>2007-09-29T23:04:43.477-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#663333;"&gt;&lt;strong&gt;14.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eduardo ainda não tinha se dado conta de que Cláudio estava de volta. Passara os últimos minutos sentado, imóvel, no canto da sala. Incrível como as pessoas são capazes de certos atos. Qual o objetivo de se evocar certos acontecimentos. Anos já haviam se passado. A culpa que sentia não. Apesar de não mais flutuar em seu consciente, ainda estava lá, corroendo-o a cada segundo. Tornara-se imune à dor; a seus efeitos, não. Eduardo realmente acreditava que tinha se tornado forte, forte o suficiente para não mais ser atingido por nada. Preparou-se com tamanho afinco: isolou-se por um muro tão alto e espesso quanto possível. Só não esperava, após tanto esforço, que este caísse por si mesmo: esquecera de se fortalecer; confiou apenas em seu muro...&lt;br /&gt;Agora via isto claramente. Enxergava-se pelo que realmente era: uma pessoa como outra qualquer, vulnerável como todas o são! E isso o horrorizava. Não queria mais ser aquele de anos atrás. Queria ser outro! Não queria mais ser humano... Apesar de, inconscientemente, saber da grande probabilidade de fracasso, Eduardo realmente acreditava que conseguiria eliminar algo inerente a sua natureza! Escondera-se por um bom tempo e planejava continuar agindo desta mesma forma até que finalmente morresse... Mas, agora, encontrava-se perdido. Tudo o que havia construído para evitar esse momento fora em vão. Não sabia o que fazer. Mais uma vez....&lt;br /&gt;Notou, então, um movimento ao seu redor. Era Cláudio a poucos passos de onde estava. “Quando mesmo que ele chegou?” Revirou sua mente sem êxito. Ao perceber que Eduardo o observara, Cláudio passou a mexer nisso e naquilo, em coisas sem importância na esperança de Eduardo nem o notar. Mal sabia Cláudio que Eduardo também nutria a mesma esperança. Tudo de que não precisava naquele exato momento era da curiosidade alheia. Era de olhares inquisitivos como os mesmo de antes, buscando respostas e estampando piedade. Precisava de tempo. Tempo para limpar tudo e varrer novamente para algum canto escuro, onde não ousaria entrar novamente.&lt;br /&gt;Eduardo se levantou. Passou por Cláudio, que permaneceu estático. Decidira voltar a suas palavras. Elas sim o ocupariam por muito tempo. Tempo suficiente para se organizar. Era o que esperava.&lt;br /&gt;“Quando o almoço estiver pronto me chama.” foram as únicas palavras que dirigiu a Cláudio, antes de seguir pelo corredor e voltar a se perder em seu trabalho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35633147-6251936631844084485?l=textosecia.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosecia.blogspot.com/feeds/6251936631844084485/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=35633147&amp;postID=6251936631844084485&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/6251936631844084485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/6251936631844084485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosecia.blogspot.com/2007/09/14.html' title=''/><author><name>Adriano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11915479602406072650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='08821558890715421967'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35633147.post-2097309309233510151</id><published>2007-09-16T16:10:00.000-03:00</published><updated>2007-09-16T16:11:48.657-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#663333;"&gt;13.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laura já havia terminado de anotar todos os dados necessários sobre os aspirantes a escritores. Não queria que nada a prendesse hoje. Sairia em seu horário normal. Nenhum minuto além. E iria direto para casa. Estava muito ansiosa. “Como foi deixar o louco do Cláudio me convencer a fazer isso?!?!” remoia a cada instante. Na verdade Cláudio era só alguém para não culpar-se no futuro. Seu maior medo era não pertencer. Sabia como Eduardo era. Corria o risco de ser completamente ignorada por ele. “Uma estranha, não passo de uma estranha” murmurava. Recolheu todos os envelopes e, alguns segundos depois, despejou-os em um canto da mesa de seu chefe.&lt;br /&gt;Voltou a sua cadeira. E ali permaneceu, fitando um e outro que passavam, aproveitando aquele momento de calma para ponderar. Retirou de uma das gavetas um pequeno embrulho. Olhou-o fixamente. Escondida dentro do embrulho de cor neutra, enfeitado com um pequeno adesivo da loja onde, mais cedo, estivera, encontrava-se uma bela caneta tinteiro, daquelas que lembravam as usadas por escritores clássicos em suas lutas particulares com as palavras.&lt;br /&gt;Ainda não estava segura o suficiente para entregá-la a Eduardo. Não sabia nada sobre aquele rapaz que via por alguns minutos, algumas vezes ao mês. O pouco que sabia sobre ele era como revisava os manuscritos à mão para depois corrigir o arquivo, se houvesse, no computador. E fazia questão de entregar a copia toda rabiscada. “Em um envelope furado e fechado por um barbante...” sorria. Era tão metódico nesse ponto. Laura se perguntava se Eduardo tinha alguma noção de, a não ser ela, ninguém mais ali apreciava esse pequeno gesto antiquado. “Provavelmente não estava nem um pouco interessado no que os outros achassem! Ele fazia por si...” concluía.&lt;br /&gt;E essa autonomia, esse comportamento único a encantava ainda mais. A seus olhos, Eduardo era como um destes heróis de tragédias clássicas. Independente da época em que foram situados, continuavam a encantar, sendo fortes, mantendo um mistério pela solidão que os rodeia. Tão envoltos por suas trevas pessoais que não conseguiam enxergar aquela pessoa que tanto os observa. Que tanto espera por um olhar. Por uma palavra, a mais simples que fosse. “Ah! Pára de se parecer com uma dessas adolescentes sonhadoras... Você não tem mais idade para isso!!” se repreendia sempre que devaneios como esses tomavam sua mente.&lt;br /&gt;Mas a caneta continuava ali, olhando-a, envolta em papel de embrulho neutro com a mesma etiqueta da loja onde fora comprada. Chegou a arriscar e perguntar a opinião de Cláudio. Era o único que poderia ajudá-la. Quando contou a ele o que pretendia comprar para Eduardo, escutou um discurso interminável. “Vai dar uma caneta para cara pelo qual está caidinha?!?! Isso é presente de amigo... Tem que ser mais ousada. Mostrar interesse, sabe...” e assim Cláudio continuou por horas e horas. Chegou até a contar sobre alguns dos presentes que dera a André quando ainda não namoravam. “Eu o vi e queria ele só pra mim!” repetia “Não ira perder tempo! Depois um mais esperto do que eu aparecia e pronto...” Cláudio só parecia esquecer que Eduardo não era André. Que Eduardo mal notava o mundo ao seu redor. E que, certamente, uma abordagem mais direta, além de não ser seu estilo, resultaria em um total desastre.&lt;br /&gt;A caneta agora lhe parecia mais apropriada que antes. Preferiria que Eduardo a notasse, ao invés de anulá-la por completo. E ser amiga já seria uma grande promoção para quem não era nada na vida dele. Pegou o embrulho novamente. Colocou-o na gaveta, onde esperaria até que fosse embora, no final da tarde. Olhou as horas. Ainda tinha alguns minutos. Levantou-se e foi beber um copo de água e esperar os minutos passarem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35633147-2097309309233510151?l=textosecia.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosecia.blogspot.com/feeds/2097309309233510151/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=35633147&amp;postID=2097309309233510151&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/2097309309233510151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/2097309309233510151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosecia.blogspot.com/2007/09/13.html' title=''/><author><name>Adriano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11915479602406072650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='08821558890715421967'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35633147.post-2535719266193473084</id><published>2007-09-09T20:47:00.000-03:00</published><updated>2007-09-09T20:48:30.522-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#663333;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;12.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#663333;"&gt;&lt;br /&gt;Não tinha certeza se estava tão atrasado ou não. Preferira não olhar as horas no celular quando desceu do ônibus. Também não sabia se Eduardo notaria algo. Não havia muito que fazer agora... Ao cruzar a porta teria suas respostas. Chegou até a pensar em agir como se não houvesse saído. Provavelmente o encontraria imerso em suas palavras. Não teve tal sorte. Encontrou-o sentado na sala em uma cadeira antiga, que teimava em permanecer por ali, olhando diretamente a porta de entrada. “É melhor nem fazer contato visual” pensou Cláudio, tentando se divertir com a situação em que se encontrava. Somente lhe restava seguir e esperar ser repreendido. Passou pelo pequeno corredor. Chegou à sala. Deixou a mochila no sofá. Foi até a geladeira. Pegou a jarra de água. Observou a mesa – e lembrou que prometera limpá-la ao chegar... Respirou fundo. Brincou com o copo vazio. Depois com o mesmo, cheio. Mexeu nos farelos de pão. “Nada até agora... Provavelmente está esperando eu me esquecer para começar a reclamar sem parar na minha cabeça... Ah! E ele ainda se acha esperto...”&lt;br /&gt;Percebeu que algo estava errado ao voltar à sala após ter limpado a cozinha – e passado quase meia hora acompanhando uma formiga perdida entre os azulejos na parede – e encontrá-lo do mesmo jeito. Sentou-se no sofá e começou a observá-lo. “Algo vai ter que denunciá-lo! Ele não pode ser capaz de esconder totalmente o que quer que seja que esteja acontecendo.” E não precisou de muito tempo para achar uma brecha.&lt;br /&gt;Qualquer pessoa, mesmo que o conhecesse bem, certamente esperaria pela emboscada futura, um ataque certeiro quando menos se esperasse. Mas ninguém o olhava nos olhos. Ninguém olhava mais qualquer pessoa nos olhos, ainda mais se tratando dos olhos de Eduardo. Havia algo naquela imensidão azul que simplesmente desnorteava quem ousava encará-lo! De certa forma ia além da fisiologia, e isso assustava! E foram os olhos de Eduardo que sinalizaram algo. Declaradamente não eram mais os mesmos. Aquele azul que tanto encantava a Cláudio indiscutivelmente não mais representava Eduardo. Não mais por completo, como antes. Na verdade o representava em nada. Ou.... Talvez... Agora sim o demonstrava por completo.&lt;br /&gt;Este era o momento que tanto procurava. E Cláudio iria aproveitá-lo por completo. Levantou-se e foi ziguezagueando pela sala, criando pretextos para avançar, mesmo que aos poucos. Entre uma parada e outra, deparou-se com um envelope perdido entre os jornais e almofadas. Infelizmente não conseguira identificar o remetente. E não se arriscaria a pegá-lo.&lt;br /&gt;“Correspondências...” deixou escapar por entre os dentes, esperando alguma reação. Qualquer reação. Mais uma vez estranhou a inércia de Eduardo. Em qualquer outro dia ele já teria começado seu sermão de como Cláudio era curioso; de como de como ele deveria respeitar a privacidade alheia e pelo resto do dia escutaria a mesma coisa... Mas este silêncio... “Isto deve ser sério mesmo!” ecoava em sua mente.&lt;br /&gt;Cláudio não tinha idéia de como administrar essa nova dinâmica.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35633147-2535719266193473084?l=textosecia.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosecia.blogspot.com/feeds/2535719266193473084/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=35633147&amp;postID=2535719266193473084&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/2535719266193473084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/2535719266193473084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosecia.blogspot.com/2007/09/12.html' title=''/><author><name>Adriano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11915479602406072650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='08821558890715421967'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35633147.post-1117649180484453128</id><published>2007-09-05T23:22:00.000-03:00</published><updated>2007-09-05T23:23:35.105-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#663333;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;11.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#663333;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#663333;"&gt;Mais uma vez tentou encontrar Cláudio. E nada. Estava disposto a irritá-lo. Mas isso não era tão importante agora. Se houvesse algum problema quanto às cerejas, André poderia recorrer a essa incomunicabilidade de Cláudio para tentar se defender. Mais uma arma a seu favor, agora e sempre! Não havia, contudo, muito com o que se preocupar. Já havia pedido ao boy para comprar morangos no mercado ali perto. E logo logo estaria tudo certo. Ou quase certo. Pelo menos teria todos os ingredientes. Ainda precisava lembrar de buscar o presente que Cláudio escolhera. Sabia como Eduardo gostava de Machado de Assis e tinha conseguido uma edição antiga de Dom Casmurro, daquelas bem amareladas que fariam qualquer um espirrar por semanas, mas que agradaria em cheio Eduardo.&lt;br /&gt;Ainda sentia-se um pouco incomodado com a atenção que Cláudio dava a Eduardo. Passava uma boa parte de suas horas juntos escutando Cláudio falar sobre “aquele menino de olhos azuis que levava tudo muito a sério”. No início, entendia a vontade de comentar de Cláudio: ele sempre se empolgava com qualquer situação nova e ficava horas falando sobre. Mas com o tempo tudo se tornava rotina e Cláudio mudava seu foco. Com Eduardo tudo fora diferente. A empolgação veio depois. A medida que o fora conhecendo. Pela própria natureza de Eduardo, que não permitia ninguém se aproximar, demorou algumas semanas para Cláudio se encantar com a situação. O problema é que não perdeu o encanto. A rotina nunca chegou e André começou a se preocupar. Ainda mais depois de ter ouvido Cláudio descrever Eduardo. E não foi somente um ou duas vezes... Até hoje ele descreve Eduardo em suas conversas, como se André nunca o tivesse conhecido. E não houve nenhum exagero de Cláudio nas descrições. Uma noite que Cláudio precisou ficar com Eduardo, que ardia em febre, André pôde confirmar cada palavra de Cláudio ao ver aquele jovem dormindo pela fresta da porta. “Se doente era tão belo, imagina quando estava saudável?!?!” comentou depois André um pouco inseguro. Foram meses de ciúmes até que o próprio Eduardo ligou para André. “Estou ligando só pra te assegurar que não tenho nenhum interesse no Cláudio. Nem sei como você agüenta ele!!!” disse rindo. E foi só isso. Cláudio jurou que nunca comentou nada. Era bem provável que Eduardo tenha percebido algo em suas palavras ou em seus gestos nas vezes que se encontraram. Ficou completamente encabulado. Como ele, um homem de trinta e dois anos poderia se sentir ameaçado por um menino como Eduardo. Um menino que nem sequer notava quem estava passado ao seu lado, mesmo se esbarrassem nele.&lt;br /&gt;Após alguns momentos que dividiram, André convenceu-se mesmo de que Cláudio não estava interessado por Eduardo, não da forma que lhe ameaçasse. O que Cláudio tinha por Eduardo era algo mais fraternal, um pouco protetor. E com o passar do tempo teve que admitir: Eduardo era sim muito interessante. Seu jeito isolado, mesmo que melancólico aos olhares dos que o cercavam, lhe conferiam uma aura de mistério, daqueles envolventes. Essa sua conclusão só não o deixou mais inseguro porque tinha certeza de que Eduardo nunca se interessaria por Cláudio. Mas de certa forma deixou Cláudio um pouco preocupado. “Seu safado! Ele é só um menino!!” divertia-se ao lembrar da primeira reação de Cláudio ao escutar tal comentário. Os olhos de Cláudio estampavam não repreensão, mas sim ciúmes, o mesmo que tanto criticara em André e nunca admitira em si. Cláudio passou meses escutando André debochar dele por causa de sua reação. André chegou a contar a Eduardo – que também infernizou Cláudio por um bom tempo, se é que ainda não o faz – depois que passaram a ter um convívio um pouco maior – convívio, pois intimidade com Eduardo era praticamente impossível de se compartilhar.&lt;br /&gt;“Seu André, os morangos já estão na geladeira, lá na cozinha... Precisa de mais alguma coisa?”&lt;br /&gt;“Não Vitor, muito obrigado! Ahh, peça, por favor, para Márcia me lembrar antes de ir embora de pegá-los, ok?”&lt;br /&gt;“Sim senhor. Com licença.”&lt;br /&gt;E assim estava tudo da forma como Cláudio queria. Ou pelo menos logo estaria. André voltou a se concentrar em seu serviço. Deixando tudo mais para depois do expediente. “Mas ele ainda vai ouvir quando conseguir falar com ele...” foi seu último pensamento sobre esse aniversário naquela manhã.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35633147-1117649180484453128?l=textosecia.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosecia.blogspot.com/feeds/1117649180484453128/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=35633147&amp;postID=1117649180484453128&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/1117649180484453128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/1117649180484453128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosecia.blogspot.com/2007/09/11.html' title=''/><author><name>Adriano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11915479602406072650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='08821558890715421967'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35633147.post-3956085925189891923</id><published>2007-04-29T16:01:00.000-03:00</published><updated>2007-04-29T16:02:56.606-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#663333;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;10.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eduardo não sabia ao certo quantos minutos se passara. Somente quanto a água começou a esfriar foi que percebeu que já estava na hora de terminar o banho... Ou melhor, de começá-lo, pois o máximo que havia feito até aquele momento se resumia a ficar parcialmente imerso em água, contanto os azulejos na parede e torcendo para que aquelas memórias voltassem a se esconder em algum ponto de sua mente. Não haveria muito mais a fazer agora. “Onde estaria Cláudio??? Sempre some quando se precisa dele...” Eduardo precisava de algo ou alguém por perto para fazer aquilo tudo sumir. Não que sentaria com Cláudio e contaria toda a história, desde o primeiro encontro até o último e suas conseqüências... Pelo menos achava que não... Estava um disperso, confuso. E Cláudio era necessário. Sempre teria algum comentário sobre o-filho-da-amiga-da-vizinha-de-sabe-se-lá-quem ou sobre algum-famoso-qualquer-que-fez-algo-em-algum-lugar-e-alguém-acabou-por-registrar-e-vender-para-algum-programa-ou-site-ou-revista-de-fofocas... Ou sobre o nada mesmo. O importante era que Cláudio o manteria ocupado. Focado em assuntos secundários que tomariam sua mente e logo ocupariam todo o espaço. Mas Cláudio não estava por perto. Ele teria que lidar com isso tudo sozinho. O calo da água o ajudaria a relaxar. Só que o calor acabou... O frio chegou e o despertou. Com um leve suspiro, Eduardo levantou-se e, como alguém com pouca vontade de fazer qualquer coisa a mais, esvaziou a banheira e abriu a ducha. O calor da água aos poucos igualou a temperatura em seu corpo e criou aquele ambiente úmido e abafado no banheiro fechado. Infelizmente nada disso foi suficiente para fazê-lo desligar de tudo novamente. Ficou por alguns minutos sentindo a água escorrer por seu corpo. Tentou fechar os olhos para aproveitar o momento e tentar fugir junto com cada gota que sentia. Lembranças revividas trazem imagens muito nítidas. Ainda não poderia se refugiar em si mesmo... “Não há mais nada a se fazer mesmo...”&lt;br /&gt;Abriu os olhos. Procurou o sabonete e a bucha. Resolvera terminar com aquele banho. Ensaboou-se. Esfregou o mais forte que podia. Talvez pudesse limpar aquelas imagens de seu corpo e afogá-las ralo abaixo. Fechou a ducha. Pegou a toalha. Pô-se a se enxugar em meio ao vapor contido no banheiro fechado. Foi só então que notou que havia se esquecido de pegar roupas limpas. “Ainda bem que Cláudio não estava em casa. Senão iria se divertir ao me ver correndo enrolado na toalha...” divertiu-se. Conseguira brincar um pouco consigo. Um primeiro sinal de que as coisas já estavam começando a voltar ao lugar. Parou em frente ao espelho embaçado. A imagem destorcida parecia a mesma de anos atrás... Mesmo sem foco por causa da umidade acumulada na superfície do espelho, era ainda capaz de enxergar os olhos vermelhos de anos anteriores... As olheiras resultantes de noites não dormidas... O rosto cansado e quase sem vida... Mas não era mais um menino. Bem ou mal havia crescido! Teria que continuar a conviver com aquilo de uma maneira ou de outra. Passou a mão pelo espelho. Certificou-se se a toalha estava bem presa na cintura e foi em busca de uma roupa antes que Cláudio chegasse.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35633147-3956085925189891923?l=textosecia.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosecia.blogspot.com/feeds/3956085925189891923/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=35633147&amp;postID=3956085925189891923&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/3956085925189891923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/3956085925189891923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosecia.blogspot.com/2007/04/10.html' title=''/><author><name>Adriano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11915479602406072650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='08821558890715421967'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35633147.post-3145752535604288277</id><published>2007-03-11T23:00:00.000-03:00</published><updated>2007-09-05T23:19:47.092-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#663333;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;09.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insistentemente a mensagem de caixa postal se repetia. “Será que esquecera o telefone em casa?” intrigava-se. “Não.... não vivia sem aquela coisa.” André percebeu que Cláudio simplesmente não estava querendo atender o telefone. Normalmente não se importaria com isso. Afinal, passavam boa parte do tempo juntos e um pouco de distanciamento em algumas horas até ajudava a mantê-los unidos. “Nada sobrevive a 24 horas de contato” costumava repetir Cláudio. A questão é que em poucas horas deveria surgir uma festa de aniversário surpresa. Festa essa idéia de Cláudio. E ele mesmo se colocava indisponível! “Afinal, quem tem que comprar tudo sou eu... O espertinho ficou apenas com a responsabilidade de convidar o pessoal...”&lt;br /&gt;André saíra escondido do escritório para correr na padaria em frente. Precisava encomendar o bolo. Algo que deveria ter feito no dia anterior. Cláudio havia sido bastante específico quanto a esse bolo. “Nada de passas, ameixas, cerejas ou afins... Nem pense em coco ralado também...” Tudo o que André adorava! Mas o bolo não era seu. E Eduardo somente comia, isso quando comia, bolo de chocolate com recheio de morangos e coberto por... mais chocolate! Pelo que conhecia de Eduardo, sabia que essa festa surpresa não seria muito bem aceita... Cláudio teria muita sorte se Eduardo não se trancasse no quarto. Por isso o bolo ter que ser perfeito! Talvez Eduardo se distraísse com ele e não fizesse nada que pudesse deixar Cláudio envergonhado. Esse era o plano.&lt;br /&gt;Deveria mesmo ter encomendado um bolo. Era tudo o que passava por sua cabeça. “Se brincasse, conseguiria que o entregasse lá em casa... Era só pagar e por na geladeira até a hora de ir. Agora não adianta mais ficar confabulando sobre isso. Como não poderia ficar rodando a cidade em busca do bolo perfeito, teria que encontrá-lo ali em frente. Ao entrar, seus olhos procuraram dentre todos os bolos ali expostos, algum que pudesse tirá-lo desse sufoco. Mal conteve o sorriso quando avistou ao canto um exemplar que ia ao encontro dos desejos de Cláudio. Estava salvo! Só parecia um pouco grande para o número de convidados. “Antes sobrar que faltar!” aliviou-se. Ao chegar ao balcão foi que percebera: os pequenos e suculentos pedaços vermelhos dispersos no bolo não eram morangos, mas sim cerejas. E cerejas se encontravam na lista dos terminantemente proibidos. Apreçou-se em perguntar, apontando com o dedo indicador: “Por favor, sabe me informar se aquele bolo ali... Não mais para direita.. Isso! Sabe me informar se o receio também é de cerejas?”. O jovem atendente fez um breve gesto com a mão e foi procurar a resposta. Não parecia, contudo, estar com pressa. Primeiro procurou por algum sinal no aviso colocado perto ao bolo... Só encontrara escrito “chocolate e cerejas”. Olhou para um lado, para outro... Coçou a cabeça.. até que decidiu procurar quem havia feito o bolo e foi em direção ao interior da padaria. André nunca poderia contar mais tarde essa história sem exagerar sobre a lentidão do rapaz. Pudera, aflito como estava, qualquer segundo se tornava uma eternidade. Discretamente foi se aproximando de onde se encontrava o bolo. Parou voltado à porta de entrada. Apesar não haver mais ninguém por lá àquela hora, parecia estar de guarda, protegendo o bolo de qualquer um que por ali pudesse passar. Somente voltou-se ao balcão de novo quando escutou o atendente lhe chamar. “O recheio é de mousse de chocolate.” Parou por um segundo. Apesar de não ser o bolo que Cláudio pedira, ele poderia transformá-lo em algo parecido. Bastava alguns morangos... que gentilmente pediria para o boy da escritório comprar para ele. “Bem, eu vou levá-lo... Pode separá-lo pra mim? Assim que sair do trabalho eu passo aqui...” comunicou André satisfeito. Provavelmente, quando chegasse me casa após a festa, teria que escutar um sermão de Cláudio. Sermão que duraria um bom tempo. Não se importava no momento. Ele conhecia meios de enfraquecê-lo, quando começava com isso... O importante é que pelo menos não havia nada sobre o que Eduardo reclamar. Afinal haveria morangos em meio ao chocolate... Muitos morangos....&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35633147-3145752535604288277?l=textosecia.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosecia.blogspot.com/feeds/3145752535604288277/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=35633147&amp;postID=3145752535604288277&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/3145752535604288277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/3145752535604288277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosecia.blogspot.com/2007/03/09.html' title=''/><author><name>Adriano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11915479602406072650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='08821558890715421967'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35633147.post-116873346209284071</id><published>2007-01-13T22:08:00.000-02:00</published><updated>2007-09-05T23:22:24.297-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#663300;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;08.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vozes. Vindas de todos os lugares. Dos mais diversos timbres. Ecoando não tão distintas palavras pelo ar.&lt;br /&gt;“Como se pode fazer algo assim....”&lt;br /&gt;“Mas será que é verdade mesmo?”&lt;br /&gt;“Não quero ouvir nada sobre isso... por favor!”&lt;br /&gt;“Com licença...”&lt;br /&gt;“O senhor poderia ser mais claro?”&lt;br /&gt;“Logo hoje.......”&lt;br /&gt;“Eu quero! Eu quero!!”&lt;br /&gt;Não conseguia se concentrar em nada. Havia tanto ainda.... De certa forma até que estava precisando de um pouco disso. Dessa confusão. Assim não se preocupava. Teria alguns minutos. Deixou o corpo escorrer lentamente pelo banco. Recostou a cabeça. Claro que não era confortável. Incomodava de tempos em tempos. Era o melhor que poderia arrumar ali. Sabia. Seus olhos fixaram-se em algum ponto. Somente esperava não estar tão atrasado como achava que estaria. Não. Não quis saber as horas. Preferiu se dedicar a criar uma nova desculpa. Acidente... Ônibus quebrado.... Qualquer coisa capaz de preencher o silêncio que o aguardava. Sim. Sempre era assim. Eduardo não se preocupava nem um pouco com essas questões. Atrasos acontecem e ele sabe disso. Contudo, se Cláudio lhe dissesse uma hora exata.... Eduardo esperava que esta fosse realmente respeitada. Não havia mais acidentes, ou ônibus quebrado, ou seja lá o que for que Cláudio possa pensar. Nada justificaria esse atraso. O problema era que Eduardo não falava nada. Nada mesmo. Nem uma palavra de reprovação Somente uma vez disse algo. “Sabe que acabo aliando meus horários aos seus....” foi o máximo. Foi na primeira vez que Cláudio se atrasou. Depois nenhuma palavra a mais. E esse silêncio incomodava Cláudio. Na verdade deixava-o louco. Eduardo só olhava para Cláudio e esse olhar era capaz de dizer tudo. Tudo aquilo que nunca diria. Cláudio sempre achou que era proposital. “Só pra me deixar furioso.... Ele sabe que não consigo ficar em silêncio por muito tempo.” queixava-se sempre a André. E não adiantava puxar assunto. Quando o fazia, o silêncio se prolongava por dias.&lt;br /&gt;Custaram-lhe várias horas de silêncio até que desenvolvesse uma forma de se justificar sem que se dirigisse a Eduardo. Imaginou o que Eduardo mais gostava de fazer.... Reclamar é claro! Reclamava de tudo. Até quando não tinha sobre o que reclamar, reclamava. Era um vício. “Se ele pode, eu também posso!” concluiu. E um dia arriscou. Tinha se atrasado devido a uma chuva forte. Ao abrir a porta, já se pôs a reclamar em voz alta. Como se debatesse consigo mesmo o ocorrido. “Que droga de chuva! Isso lá é hora de chover! Nem pude fazer o que queria.....” e assim foi. Reclamou por uns dez minutos sem parar enquanto Eduardo o observava do sofá. Foi para o banheiro se secar. De lá para a cozinha. Voltou ao banheiro.... Sempre reclamando. Não houve nesse dia olhar de reprovação nem qualquer forma de recriminação por parte de Eduardo. Curiosamente foi ele quem interrompeu Cláudio. “Ora, ora.... cadê seu bom humor?” debochou depois de se divertir ao ver Cláudio reclamar. Desde então sempre que se atrasava, Cláudio inventa alguma forma de se fazer de irritado. Por fim, até que achava interessante reclamar sobre o que tinha acontecido. Relaxava-o. “E não é que é bom mesmo....” ria consigo mesmo.&lt;br /&gt;Deixou seus pensamentos de lado ao sentir o celular vibrar em sua mochila. Deveria ser André atrás dele. Era outro que não gostava de esperar. Devia estar ansioso. Afinal agora tudo era por conta dele até a noite. Cláudio pôs a mão em cima da mochila. Chegou a abrir o zíper. Parou. Pensou duas vezes. Não estava com paciência. Fechou o zíper. “Uma hora ele desiste.” ponderou. Voltou os olhos para a rua. Logo estaria de volta a casa de Eduardo. Esperaria até André se cansar do celular e ligar lá. E ainda teria de arquitetar algo para quando chegasse. Nada de silêncios hoje. Era a última coisa de que precisava...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35633147-116873346209284071?l=textosecia.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosecia.blogspot.com/feeds/116873346209284071/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=35633147&amp;postID=116873346209284071&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/116873346209284071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/116873346209284071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosecia.blogspot.com/2007/01/08.html' title=''/><author><name>Adriano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11915479602406072650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='08821558890715421967'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35633147.post-116623775868553863</id><published>2006-12-16T00:54:00.000-02:00</published><updated>2007-09-05T23:20:27.750-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#663300;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;07.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Apenas suas correspondências. Fechou o portão. Caminhou em direção a sala, conferindo os remetentes. “Conta. Outra conta. Nossa.... uma conta....” divertia-se. Tudo normal como não haveria de ser. Foi quando notou um envelope azul no meio de tantos brancos. Olhou-o com cuidado. Sem remetente. Só seu endereço. Uma carta anônima? Suspense?? Claro que não. “Mamãe.... quanta originalidade...” sussurrou em tom de deboche. Fechou a porta. Jogou as demais cartas no aparador ao canto, em cima dos jornais antigos. Sentou-se no sofá e pôs-se a brincar com o envelope. Todo ano era a mesma coisa. Desde que completara quinze anos. Um cartão de alguma parte do mundo em um envelope colorido. China, Argentina, Áustria, Polônia, África do Sul.... Tinha todos guardados. E sempre a mesma frase “Felicidades. Mamãe e Papai”. Ficava imaginando se, algum dia, entenderiam que ele conhecia a caligrafia dos dois. “Pelo menos podiam se dar ao trabalho de escreverem eles mesmos....” falava para a sala vazia. “Façam suas apostas.... qual será o país desse ano? Japão? Chile? Camarões?” divertia-se ao rasgar o envelope. De repente parou. Calou-se. Atônito. Não acreditava no que via. Nada de cartão. Somente uma foto e um bilhete: “Feliz Aniversário”. “Finalmente mamãe... resolveu escrever....”&lt;br /&gt;Havia tanto tempo que acreditava ter jogado aquela foto fora. Junho de 1997. Outra época.... Eduardo finalmente conseguiu vencer sua timidez e abriu seu coração para Anna. A bela Anna. Morena de olhos verdes.... Sorriso capaz de iluminar qualquer canto escuro de sua alma. Ela simplesmente era perfeita. Perfeita para ele. Já havia se preparado para um não quando surpreendeu-se com um beijo. Seu primeiro. Não sabia como reagir. Tudo parecia ter se encaixado em sua vida. Foram os dois melhores anos. Primeiro amor. Jovem. Inocente. Era dela. Isso com certeza. Vivia perguntando-a o que tinha visto nele. Era todo desajeitado. Tímido. Nem um pouco popular ou algo do tipo. Uma bagunça, literalmente falando. “Você é fofo, como diz o Leo. Tem os olhos mais lindos que já vi. E não falo da cor deles. São inocentes. Puros. Sinceros. Você é capaz de resolver o problema de todo mundo com a maior calma do mundo, mas fica todo perdido quando se trata de você. Não enxerga um palmo a sua frente. Faz a carinha mais engraçada quando tá tentando entender o que se passa. É capaz de discutir horas com qualquer um sobre qualquer assunto, mas levou quase um ano pra falar comigo. Ah.... e não posso esquecer que você fica todo sem graça quando escuta um elogio. E quando tá com vergonha, dá vontade de te levar pra casa.... Bobo eu vi você. E me apaixonei. Só isso!” E era sempre a mesma resposta. Foram tantas vezes que ela teve de repetir até que ele acreditasse.... Sabia que não viveria sem ela. E falava isso sempre. Gritava quando ela não acreditava, para todos escutarem. Passavam todas as horas do dia possíveis juntos. Sem ela, sentia-se sozinho, perdido.&lt;br /&gt;Em seu aniversário de dezessetes anos, Anna finalmente teve o presente que tanto sonhava. Iria passar três meses em Paris. Para ela o dia mais feliz da sua vida, para Eduardo um provável pesadelo. Apesar de saber que se pedisse ela não iria, não poderia fazer isso. Teria que suportar. “Seriam só três meses....” Somente pediu uma coisa em troca. O dia que antecederia a viagem. Passariam todas as horas possíveis juntos. “Pra compensar três meses sem você...” disse com um jeito doce a Anna. Fizeram tudo juntos. Do café da manhã até o fim da festa de despedida que organizou para ela. E como parte do acordo, ele a acompanhou até em casa. Fizeram o trajeto mais longo possível para passarem mais tempo juntos. Observaram as estrelas, a lua.... Seu coração doía a cada minuto que terminava. Não dizia nada, entretanto. Não queria que esse último dia terminasse em lágrimas. A um quarteirão da casa dela, pensou em implorar para que ela não fosse. Não queria ficar sem ela. E talvez devesse tê-lo feito.... A poucos passos do portão principal um carro, um grito, um susto.... Somente isso. Uma eternidade em segundos até reagir. Estava bem. Ele estava. Anna encontrava-se no chão. Eduardo mal conseguiu gritar por ajuda e logo se sentou ao seu lado. Até hoje não entende o que aconteceu. Lembra-se do sangue. Do cheiro. Da textura. Da cor. Daqueles olhos verdes perdendo a luz. Do corpo sem movimento...&lt;br /&gt;Não foi ao enterro. Não comia. Não saia do quarto. Trancou-se. Levaram-lhe o coração. Não sobrou muito. Só uma espera. Interminável....&lt;br /&gt;“Obrigado, mamãe..... Original pelo menos uma vez.....”&lt;br /&gt;Os minutos passavam. Ainda não acreditava. Não questionava muito. Real ou não, estava ali, nas suas mãos. Poderia ser apenas imaginação. Às vezes desprendia-se da realidade. Logo voltaria a si. Incrível como aprendera a controlar seu exterior quando queria. Nenhuma expressão denunciava o que se passava em sua mente. O caos em imagens, pensamentos, sentimentos... passados e presentes.... Comprimidos. Camas de hospitais. Olhares de reprovação e piedade. Isolamento.... Inconscientemente, seu polegar direito deslizava sobre o pulso esquerdo. Aparentemente tentando apagar o passado..... Podia sentir novamente sua pele se abrindo. O sangue pulsando de suas veias, fugindo pelo seu braço. A dor. A esperança.... Lentamente a foto escapava-lhe pelos dedos, apoiando-se sobre suas pernas. Assistindo, impassível a tudo. Imediatamente o polegar esquerdo começou a caminhar sobre o pulso direito. Novamente o passado ressurgia ante seus olhos.... E, finalmente, ambas as mãos caíram, estáticas, sobre a foto. A espera do tempo...&lt;br /&gt;Eduardo quase não respirava. Seus olhos correriam a sala a procura de algo conhecido. Tentavam se entreter com outras imagens. Fugiam do que suas mãos revelaram. Encontrava-se perdido. Sem reação. Outra vez. Só havia uma coisa que poderia fazer naquele instante. Sabia disso. E o fez...&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35633147-116623775868553863?l=textosecia.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosecia.blogspot.com/feeds/116623775868553863/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=35633147&amp;postID=116623775868553863&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/116623775868553863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/116623775868553863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosecia.blogspot.com/2006/12/07.html' title=''/><author><name>Adriano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11915479602406072650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='08821558890715421967'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35633147.post-116510018188387966</id><published>2006-12-02T20:54:00.000-02:00</published><updated>2007-09-05T23:21:41.915-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#663333;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;06.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#663333;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#663333;"&gt;Não adiantaria correr. Chegaria atrasado mesmo. E certamente Eduardo não estaria nem se lembrando que ele saíra... Estaria tão imerso em seu trabalho que só notaria a sua ausência quando sentisse fome “Na melhor das hipóteses.....” ria consigo. Parou um segundo a frente da entrada do consultório de Fernanda. Olhou as horas no relógio. Respirou. Tirou o relógio do pulso e guardou-o na mochila. Iria mesmo se atrasar....&lt;br /&gt;Entrou e logo escutou um “Querido!!!!!” Era Larissa. Incrível como por causa de Eduardo acabou conhecendo tanta gente... Apesar de não ter a mesma intimidade que possui com Laura, acabou incorporando também Larissa ao seu cotidiano. Ela sempre o encaixava entre um paciente e outro para poder conversar com Fernanda quando se sentia preocupado com Eduardo... “Que que nosso menininho aprontou dessa vez que tá te deixando preocupado?” perguntou enquanto se levantava para abraçá-lo.&lt;br /&gt;“Ela tá ocupada?” perguntou logo, num tom apressado, abraçando-a. “Minuto...” respondeu Larissa sem chegar a sentar. Dirigiu-se ao consultório propriamente dito. Poucos segundos depois, voltou acompanhada e Cláudio, seguindo um gesto de Fernanda, foi ao seu encontro. Ainda fechando a porta desculpou-se “Sei que deveria ter avisado antes, mas acabei me atrasando...” deteve-se ao se deparar com Fernanda sorrindo, observando-o. “Que foi??” perguntou todo encabulado. “Nada...” desconversou. Mal sabia Cláudio o quanto ele era importante para Eduardo. Das poucas vezes que conseguira algumas palavras de Eduardo, não passava mais de cinco minutos sem que este comentasse como Cláudio havia feito isso ou falado aquilo ou como ele simplesmente havia ficado quieto... Provavelmente nem Eduardo tinha consciência de tal importância. Cláudio se tornou o único elo de convívio social de Eduardo. O que já é um avanço para quem não se permite construir qualquer tipo de relacionamento duradouro.&lt;br /&gt;“Fernanda, você vai poder ir hoje?” precipitou-se Cláudio.&lt;br /&gt;“Bem, você sabe que não tenho tanta intimidade assim com Eduardo.....”&lt;br /&gt;“Ou não! Pode muito bem resgatar esse elo.” começou Cláudio. “Sabe como ele não confia nas pessoas e como ele encara o mundo e tudo mais....”&lt;br /&gt;Cláudio tinha realmente um argumento forte. Fernanda havia cansado de tentar explicar que ela e Eduardo não eram mais os mesmo de antes. Fernanda o conhecera criança, ainda mal sabiam falar... Passaram uma boa parte de suas vidas grudados. Fora Eduardo que se apresentara a Fernanda... Bem é o que se pode dizer, afinal bebês não se apresentam! Todos contavam da primeira vez que os dois trocaram alguns olhares...&lt;br /&gt;Seus pais sempre foram vizinhos... Fernanda e Eduardo nasceram quase na mesma época... Somente alguns meses os impediram de dividir ao mesmo tempo a mesma maternidade. Suas famílias viviam juntas, principalmente nos finais de semana. E tudo começou aos sete meses de idade de Eduardo: este fora logo engatinhando e sentando ao lado de Fernanda, quando seus pais o levaram a primeira vez a casa dos vizinhos. Por anos, não mais saiu de seu lado... Ele sempre calado, quieto... Mas sempre por perto. Tão diferente de hoje em dia.... “Você sabe como tudo mudou...” Eduardo a afastara dele. Nada pessoal. Afastara todas as pessoas de si.&lt;br /&gt;Cláudio continuava a olhá-la fixamente a espera de uma resposta. Era nítida sua ansiedade. Havia tanto ainda a ser feito... E contava sinceramente com Fernanda. Ele sabia de tudo o que tinha acontecido. Fernanda fora intimada a se reaproximar de Eduardo. “Afinal numa situação dessas, temos que contar com pessoas de confiança.... Já imaginam que escândalo seria se todos descobrissem sobre Eduardo.... Nenhuma mãe merece um fardo desses....” Fora nessa época que Cláudio entrara na vida de Eduardo: havia sido contratado pra intermediar tudo isso; para que a mãe de Eduardo não precisasse “sofrer tanto” tendo que lidar com esses detalhes da vida do filho. Já era o bastante ter um filho nessa situação.&lt;br /&gt;Ambas as famílias esperavam que essa proximidade passada, existente entre os dois, devolvesse a normalidade a Eduardo. Já Cláudio contava com essa mesma proximidade para convencer Fernanda.&lt;br /&gt;“Ok. Entretanto não espere muito de mim. Não se esqueça de que ele ainda me afasta.”&lt;br /&gt;Cláudio nem precisou responder. Somente concordou em silêncio.&lt;br /&gt;“Às 19:00, ok?” limitou-se a dizer enquanto se levantava.&lt;br /&gt;Fernanda anotou em sua agenda. Não sabia se agia corretamente.... Somente se lembrou daquele menino... e do quanto queria que ele voltasse...&lt;br /&gt;Cláudio apressou-se a se despedir a fim de evitar qualquer arrependimento de Fernanda. Saiu quase correndo do consultório. Acenou para Larissa e se foi. Desistiu de passar no escritório de André. Ligaria para ele confirmando tudo. Nem se preocupou em buscar o relógio dentro da mochila. Tinha certeza de que deveria voltar correndo antes que Eduardo desconfiasse de algo. Logo passaria um ônibus e aproveitaria para descansar um pouco.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35633147-116510018188387966?l=textosecia.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosecia.blogspot.com/feeds/116510018188387966/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=35633147&amp;postID=116510018188387966&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/116510018188387966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/116510018188387966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosecia.blogspot.com/2006/12/06.html' title=''/><author><name>Adriano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11915479602406072650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='08821558890715421967'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35633147.post-116243201004979145</id><published>2006-11-01T22:43:00.000-03:00</published><updated>2007-09-05T23:17:02.793-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#663333;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;05.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eduardo voltara ao escritório. Finalmente se conscientizara que tinha de trabalhar. Era tudo um processo. Sempre que começava algo, punha-se disposto, querendo terminar logo. Entretanto, após as primeiras páginas, cansava-se. Inventava desculpas para não poder continuar. No início até que era inconsciente. Com o tempo passou a perceber este seu comportamento. Analisou-se – bancava o psicólogo algumas vezes – tentando encontrar o motivo. Achava que não queria chegar ao fim. Era como se não mais tivesse utilidade, terminar com a estabilidade do conhecido, ter que se aventurar pelo novo. Concluiu que gostava da segurança do conhecido, do antigo. E que, conseqüentemente, tinha certa aversão ao novo. “Um típico histérico.”, dizia. Resolvera, inicialmente, lutar contra esta vontade de auto-sabotagem. Sempre que começava a perder o interesse pelo que estava fazendo, repetia para si “Vá em frente. Não há nada de mais em terminar uma etapa e começar outra.” Isto, quando estava calmo. Quando perdia a paciência, corria para frente do espelho, olhava dentro de seus olhos e ordenava “Pare com isto. Termine o texto. Você não tem tempo a perder...” Respirava fundo, voltava ao escritório, sentava-se e tentava continuar a trabalhar. Com o tempo foi percebendo que não estava adiantando. Uma vez estava tão irritado, que quando deu por si estava discutindo com o espelho. Até que teve a brilhante idéia de parar logo de uma vez quando começasse a se desinteressar por seu trabalho. Assim, enrolava um pouco folheando uma revista, bebendo água ou simplesmente andando de um lado para o outro. Com isso, perdia menos tempo, pois se cansava de ficar a toa e voltava ao trabalho sem aquela incomoda sensação de estar indo contra sua vontade. Era uma maneira de se enganar. “Psicologia reversa”, brincava. Não tinha muita idéia dos conceitos que adorava utilizar para se analisar. Já tinha lido algumas coisas, entretanto não se lembrava de muita coisa e nem sabia se as fontes eram realmente confiáveis. Não se importava. Não queria bancar o intelectual ou algo assim. Simplesmente gostava de usar termos técnicos.... mesmo que não estivesse totalmente correto seu uso.&lt;br /&gt;Voltou ao escritório e pôs a trabalhar. Finalmente conseguira se concentrar. Cláudio dizia que era uma das cenas mais curiosas da humanidade. “Ele começa sério, lendo cada palavra em silêncio, mexendo levemente os lábios enquanto as lia. Sua mão parecia se tornar independente com aquela caneta vermelha nas mãos. Construções mais complexas o levavam a um fórum de discussão consigo mesmo. Soltava a caneta na mesa e suas mãos gesticulavam de forma a tentar construir no ar cada possibilidade ao mesmo tempo em que seu rosto abrigava diversas expressões, cada uma melhor do que a outra... Mas o melhor é quando se depara com algum absurdo escrito... É simplesmente hilário! Ele resmunga tanto que chega a se perder... hahahaha... A todos deveria ser permitido, ao menos uma vez, presenciar esse acontecimento...” Odiava quando Cláudio começava a contar isso a alguém, ou melhor, a André, o único que costumava freqüentar sua casa. Falava que era porque Cláudio gostava de fantasiar demais e aumentar os fatos. Na verdade, o que mais lhe incomodava era que em todas as vezes que teve de presenciar Cláudio contar, e pior, encenar essa história, sempre escutava a mesma versão. Fossem cem vezes, cem vezes teria de escutar e assistir a mesma coisa. E não é que Cláudio estava certo! Nunca admitiria, é claro! Mas sabia que quando se concentrava, preocupava-se somente com sua leitura e nada mais... chegando sim fazer tudo o que Cláudio contava. “Nunca vou admitir....” ficava pensando enquanto assistia a performance dele.&lt;br /&gt;O tempo começou a, finalmente, seguir seu curso. Não que havia parado só para implicá-lo. Na verdade era Eduardo que havia de desligado da existência do mesmo. O ponteiro do relógio trabalhava fervorosamente; as páginas começaram a diminuir; de tempos em tempos gesticulava, como Cláudio gostava de descrever sempre... E assim foi uma boa parte da manhã. Assim ao menos ele achava.... Na verdade, foram cerca de quarenta minutos no máximo. Estava tão empenhado que poderia jurar que estava há horas ali.&lt;br /&gt;Fora interrompido pelo som do interfone. Uma vez, duas vezes, três vezes.... “Cláud...” interrompeu-se ao lembrar que ele havia saído. Era sempre assim. Quando não o atrapalhava com sua presença, o fazia com sua ausência... Ria. Cláudio não tinha culpa alguma, sabia. Era meio que força do hábito sempre culpá-lo já que era ele que movimentava aquela casa. E enquanto isso aquele ruído irritante continuava a preencher o ambiente.... Deixou a caneta de lado, olhou o número de folhas que havia conseguido ler e acabou se surpreendendo. Sentiu-se satisfeito. “Por enquanto está bom...” Guardou as folhas, levantou-se e foi, por fim, atender a porta.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35633147-116243201004979145?l=textosecia.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosecia.blogspot.com/feeds/116243201004979145/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=35633147&amp;postID=116243201004979145&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/116243201004979145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/116243201004979145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosecia.blogspot.com/2006/11/05.html' title=''/><author><name>Adriano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11915479602406072650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='08821558890715421967'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35633147.post-116096750418359272</id><published>2006-10-15T23:55:00.000-03:00</published><updated>2007-09-05T23:16:25.487-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#663333;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;04.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cláudio fora direto para a editora. Era o local mais próximo. E sabia que Laura tinha um horário vago. Ele ainda não entendera muito bem qual era a função dela. Laura se formou em jornalismo mais ou menos na mesma época que Eduardo se formou em letras. Ela era jovem, inteligente e bonita. Tinha as melhores notas de sua turma. Um currículo invejável por qualquer outro aspirante a jornalista. Poderia ter conseguido um emprego em um dos melhores jornais da cidade e preferiu se um tipo de secretaria pessoal de um editorzinho qualquer. Ela basicamente fazia de tudo, até buscava lanchinhos para ele no meio da tarde. O pior é que gostava. Dizia que acabava conhecendo pessoas diferentes a cada momento: aspirantes a escritores, pseudo-intelectuais, socialites que se cansavam de fazer compras e lançavam livros de como se vestir, portar ou até mesmo viajar..., conhecia muito bem o carinha que trabalhava na cafeteria da esquina e a senhora da banca de jornais, além do tintureiro, sapateiro, pedreiro e todos os demais “-eiros” dos quais se chefe necessitasse. “Adoro conhecer pessoas. Cada uma tem uma história, conhece uma faceta da realidade. Isto me fascina!”, afirmava. Queria se escritora e aproveitava para agregar o máximo de personagens e fatos a sua mente. Assim, poderia trabalhá-los e utilizá-los se precisasse. Como uma forma de inspiração.&lt;br /&gt;Cláudio a conheceu por acaso. Eduardo havia passado muito mal uma noite e pediu-o que levasse um texto revisado ao editor. Ao chegar na editora, encontrou-a no elevador. “Estes são os textos que o Eduardo estava revisando?”, perguntou. Cláudio não chegou a se assustar, mas estranhou um pouco. Como ela poderia saber? Provavelmente era o que estava escrito em seu rosto, em seu olhar intrigado e, porque não, incomodado. “Desculpa, é que ele é o único que, ao invés de simplesmente grampear o envelope, fura-o e fecha com barbante.”, explicou sorrindo. “Ele tem dessas...”, comentou Cláudio meio que sorrindo. “Eu acho charmoso. Antiquado, mas charmoso...”, disse com um leve sorriso de canto de rosto. A partir deste dia, começaram a se ver com mais freqüência, não apenas quando Eduardo não podia ir pessoalmente entregar os textos. E acabaram se tornando amigos.&lt;br /&gt;Logo descobriu que ela tinha uma quedinha por Eduardo. Ela tentava esconder. Mas era só prestar atenção no jeito que sempre continha um sorriso quando ouvia ou falava o nome dele. Era fascinante. Às vezes podia-se perceber no ar, principalmente quando ele estava por perto. “Devia ser aqueles olhos azuis e o jeito de menino carente.”, pensava. E Eduardo nunca notara. Era tão resistente ao convívio social que aprendeu a ignorar o que os outros sentiam por ele. E Laura fazia de tudo para que ele não soubesse. Fez Cláudio até jurar que nunca comentaria nada. Pior, que negaria se, algum dia, Eduardo insinuasse algo. Parecia uma adolescente insegura... No fundo, esperava que Eduardo algum dia chegasse e a pegasse nos braços e a beijasse apaixonadamente, como nos livros. É claro que sabia que isto nunca aconteceria, mas quem poderia culpá-la de querer que acontecesse. Todos já quiseram algum dia.... Provavelmente até Cláudio quando mais novo. Só não comentava. Por isso que achava fascinante.&lt;br /&gt;Cláudio foi direto ao encontro de Laura. Ela havia recebido uma série de textos de novos escritores que deveria passar a seu chefe. Sua mesa estava mergulhada em envelopes dos quais, com muita sorte, um ou dois seriam escolhidos pra serem publicados. Aos demais pretensos escritores seria enviada uma carta rejeitando o texto. Cartas estas que teria que escrever, selar e enviar. Por isso, antes que seu chefe chegasse teria que anotar não só o remetente de cada um daqueles envelopes com também o título de cada texto para não se confundir.&lt;br /&gt;“Que isso?”, perguntou Cláudio estranhando a situação. “Pensei que te encontraria tomando café!”&lt;br /&gt;“Você sabe que eu não bebo café e isso aqui é início de mês.”, respondeu ela enquanto tentava abrir espaço naquela bagunça.&lt;br /&gt;“Eu vim rapidinho só pra confirmar se você vai lá hoje à noite.”, disse Cláudio, ao mesmo tempo que tentava contar quantos envelopes haviam naquela mesa.&lt;br /&gt;“Vou sim. Ás 19:00, né?”,&lt;br /&gt;“É. Na minha casa. O André vai tá esperando vocês.”, confirmou, surpreso com o número de envelopes, vinte e dois para ser exato. E já se despediu: “Certo. Tô indo. A gente se fala mais tarde.”&lt;br /&gt;Estava quase no corredor quando escutou o “Tchau!” de Laura. Como se houvesse alguma dúvida se ela iria... Agora tinha que passar no consultório de Fernanda. E ainda ir ao escritório de André para confirmar antes de voltar para a casa de Eduardo. Olhou no relógio. Não tinha mais que quarenta minutos. Resolveu ir a pé. Afinal, eram apenas uns sete quarteirões descendo a rua e iria se atrasar mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35633147-116096750418359272?l=textosecia.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosecia.blogspot.com/feeds/116096750418359272/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=35633147&amp;postID=116096750418359272&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/116096750418359272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/116096750418359272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosecia.blogspot.com/2006/10/04.html' title=''/><author><name>Adriano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11915479602406072650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='08821558890715421967'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35633147.post-116044094963596165</id><published>2006-10-09T21:41:00.000-03:00</published><updated>2007-09-05T23:16:02.582-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#663333;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;03.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eduardo olhava aquela pilha de folhas que ainda faltava. Devia ser umas cinqüenta. Não conseguia se concentrar. Não porque tivesse mais o que fazer ou algo lhe atrapalhando. Na verdade o texto era tão ruim que as palavras pareciam se multiplicar somente para ele não terminar uma pagina. “Como cabem tantas palavras numa única página! Credo!”. Além disso, o tempo teimava em não passar. Parecia que o relógio estava mais preguiçoso que de costume. O ponteiro levava pelo menos dois minutos para terminar uma volta. Não lhe parecia justo aquilo. Era tortura. Um complô cósmico para puni-lo por algo que não sabia ao certo o que era. Não aquentava mais. Precisava de um tempo para refrescar a mente. Estava com sede. E com fome. Tinha que ir ao banheiro e não podia deixar aquela sujeira na cozinha, a mesma que largou para que Cláudio limpasse quando chegasse. Mas tudo não passava de desculpas. Tinha de encarar: não queria mais ficar sentado e vendo aquelas palavras brincarem com sua mente. Mas o que iria fazer? Não estava com sede, nem com fome. Fazia nem cinco minutos que havia ido ao banheiro e não, realmente não iria limpar a mesa de café da manhã. Resolveu então perambular pela sala a fim de encontrar algo diferente, nem que fosse ler os obituários dos dias anteriores.&lt;br /&gt;Parou no vão que dava acesso à sala. Pegou-se olhando, observando um pouco de tudo: a almofada azul-clara jogada num canto do sofá branco, a pilha de jornais antigos no aparador ao canto, logo ao lado das violetas roxas – presente de Cláudio, é claro! –, uma foto sua quando criança brincando com seus cachorros, a única foto que tinha em casa. Lembrou-se de quantas vezes Cláudio quis saber o porquê de não haver outras fotos naquela casa. “Não me diga de não existem outras fotos suas ou de alguém que conheça?”, sempre perguntava encabulado. “Se existem, não dou a mínima! Esta é a única que gosto de olhar. O resto não me importa, não tem valor.”, sempre respondia. Era a única resposta que Cláudio não contestava. Certa vez perguntou-o se nunca colocaria outras fotos ali. “Depende, Cláudio. Se julgar importante para mim, sim. Se não, vão todas pro lixo!”. Nunca se esqueceria da cara de espanto dele. “Ainda não estava acostumado com minhas respostas.”, concluiu. E, só para implicá-lo, ainda teve de escutar de Cláudio: “Bom saber. Eu ia te dar uma foto minha, mas agora não vou gastar meu dinheiro, não!”, e saiu com a cara fechada. Eduardo sorria. Demorou cerca de quatro dias para que Cláudio voltasse a tratá-lo como antes. Às vezes ele era tão sensível. Teve que tomar cuidado com o que dizia por alguns meses até que ele se habituasse a seu mal-humor. E, no final, ele acabara se acostumando também com o excessivo bom-humor de Cláudio. “Devo estar pagando os meus pegados! Deve ser karma!”, resmungava de maneira irônica quando queria provocá-lo um pouco. E assim seus dias iam passando.&lt;br /&gt;Balançou a cabeça em sinal de reprovação. Tinha que achar algo para fazer de modo a poder voltar a trabalhar. Revirou a pilha de jornais. Todos antigos. Mas jurava que Cláudio tinha comprado um novo. Ele comprava todo dia. Não precisava nem pedir. Correu a sala com os olhos. Não encontrou nada. Pôs-se a pensar. “Onde ele teria posto o jornal?”. Não encontrou respostas imediatas. Começou a duvidar que Cláudio o tivesse realmente comprado. “É claro que ele não faria isso! É claro que ele não faria isso? É claro que ele não faria isso. É.”. Pensou um pouco mais. Foi quando se lembrou de tê-lo visto nas mãos de Cláudio. “Eu tinha certeza que ele não faria isso!”, gabou-se por um segundo. Correu para o quarto. Devia estar lá em algum lugar. Não conseguia ver muita coisa. As cortinas ainda estavam fechadas. “E depois eu é que sou o pirracento!”, reclamou impaciente. Ao abrir as cortinas, notou que o sol brilhava alto no céu. Ainda não tinha se dado conta daquilo. Virou-se e se deparou com o procurado jornal largado em um canto de sua cama. Pegou-o com uma alegria quase infantil. Finalmente teria como passar o tempo sem se sentir culpado. Afinal estava se informando. Nada mais justo!&lt;br /&gt;Foi para a sala e se jogou no sofá. Era tudo do que ele precisava. Observou por um tempo a primeira página. Era incrível como não havia tantas diferenças das anteriores: os nomes ali descritos eram sim diferentes os fatos nem tanto e, no final, dava tudo na mesma. Irritou-se um pouco. “É sempre a mesma coisa. Dia após dia!”. Havia perdido a vontade de lê-lo. Mas ainda não queria voltar àquelas páginas intermináveis. Ainda não estava pronto. Pôs-se então a folhear o jornal. Acabaria ganhando alguns minutos. Folha após folha. Olhava de relance uma manchete aqui, outra acolá. De vez em quando se prendia a observar uma foto ou outra. E assim foi indo: jogava uma folha para um lado, outra para outro e elas foram se acumulando ao seu redor. Quando seus olhos quase não mais registravam o que passava a sua frente, deparou-se com seu horóscopo do dia. Ali na sua frente. Já que estava ali mesmo começou a ler em voz alta, com se tivesse alguém mais a sua volta, do jeito que as pessoas fazem quando estão tentando desvendar os mistérios contidos naquelas breves linhas: “O alinhamento dos planetas torna o dia turbulento para os nativos de Touro. Surpresas aguardam-o ao final do dia...”&lt;br /&gt;Parou por ali. Não conseguiu continuar até o fim. Qualquer pessoa que escrevesse “aguardam-o” não seria capaz de ditar o futuro. Não o seu. Jogou o resto do jornal no chão. Para que mesmo foi ler aquilo? Não sabia. Provavelmente foi movido pelo desespero de fugir dos erros que o atormentavam no escritório. Mas parece que deles não escaparia tão cedo. “Dia turbulento”, balbuciou com desdém. Realmente. Ter de se deparar com tais monstruosidades durante todo o dia realmente o tornaria turbulento. E além do mais não acreditava em horóscopos. Prever o futuro pelo passado era inaceitável para ele. “Pegue, por exemplo, meu signo. A estrela mais brilhante da constelação de Touro é Aldebaran que se encontra a uma distância de 68 anos-luz da Terra. Não precisa ser nenhum físico ou coisa parecida para saber que leva um bocado de tempo para se percorrer tal distância. Assim, o que um astrólogo previu para os taurinos, hoje, por exemplo, é baseado em um feixe de luz emitido há..., sei lá... muito tempo atrás. E mesmo assim tenho de acreditar que esta luz do passado vai me dizer algo sobre meu futuro? É demais até mesmo pra mim!”, dizia sempre àqueles que se aventuravam em tentar convencê-lo.&lt;br /&gt;Aquele fora o ponto final. Preferiria enfrentar os intermináveis erros que abandonara no escritório. Pelo menos era pago. E no final acabava por se divertir um pouco com os absurdos que encontrava. Publicam qualquer coisa hoje em dia. “Sem conteúdo ou perspectiva artística. Desde que venda, tudo bem!” Mas era seu emprego. O único que lhe ofereceram que pudesse trabalhar em casa. Não queria gente bisbilhotando sua vida enquanto trabalhava e talvez por isso não tivera muitas opções. Exigência sua que seu tio aceitara sem questionar. “Família tinha que servir pra algo...” Levantou-se. Olhou o amontoado de folhas de jornal. “O Cláudio depois pega. Ele vai adorar...”, pensou enquanto se dirigia ao escritório. Achava que pelo menos assim ele teria algo mais com o que se ocupar. E não ficaria a sua volta, fazendo perguntas intermináveis sobre tudo, tirando sua concentração. Poderia até parecer antipático de sua parte. Até que gostava de conversar com Cláudio, ou de ouvi-lo já que quando começava a falar não parava. Mas prezava muito seu trabalho. Era o único que tinha. E, além do mais, teria tempo à tarde para conversarem um pouco.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35633147-116044094963596165?l=textosecia.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosecia.blogspot.com/feeds/116044094963596165/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=35633147&amp;postID=116044094963596165&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/116044094963596165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/116044094963596165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosecia.blogspot.com/2006/10/03.html' title=''/><author><name>Adriano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11915479602406072650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='08821558890715421967'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35633147.post-116027687817126752</id><published>2006-10-08T00:06:00.000-03:00</published><updated>2007-09-05T23:15:33.577-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#663333;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;02.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Cláudio corria pelas ruas movimentadas. Tinha pouco tempo para fazer tudo o que queria. Sorte que morava ali por perto, a alguns quarteirões. Vivia em uma casa, de esquina. Dois quartos, sala, cozinha, dois banheiros, um no quarto principal e outro menor, na verdade um lavabo entre a sala e um pequeno escritório que acabou por tornar-se uma biblioteca – precisava de um lugar para guardar seus livros e os de André. Havia ainda um pequeno quintal aos fundos. Morava lá desde que se formou em enfermagem. Havia bastante tempo. Curiosamente nunca se encontrara com Eduardo antes de começar a trabalhar para ele. Estranhava como poucos metros os separaram por anos sem nunca se esbarrarem em algum lugar. Depois de conviver um pouco com ele acabara por entender. Eduardo levava uma vida quase de confinamento. Detestava sair de casa para fazer o que fosse. Sempre que houvesse a opção, comprava por telefone e pedia para entregar. O máximo que se permitia – e era mesmo sua obrigação – era as idas a editora a fim de buscar e levar seu trabalho. Era revisor. Consegui este emprego devido ao seu português impecável. Pode não parecer, mas quando queria falava de uma forma que deixaria Olavo Bilac maravilhado. Era tão raro um jovem que se preocupava tanto com sua língua-mãe. Cláudio o imaginava como sendo um daqueles alunos que falam tudo certo na sala de aula, mas não para se mostrar ou impressionar alguém. Tinha apenas prazer em falar certo. “Deve ter parado devido às implicâncias dos outros”, pensava. Não tinha certeza, e nunca terá. Exceto, claro, se o próprio Eduardo lhe contar esta historia. Como sabia que isto não aconteceria, se permitia imaginar um pouco. O que valia era que conhecia essa língua como ninguém e ponto.&lt;br /&gt;Ao entrar em casa, foi direto ao quarto. Precisava separar uma roupa para usar naquela noite. Ao acender a luz, notou um bilhete pregado na porta do guarda-roupa. Era de André. Ele tinha este costume. Sempre que precisava se lembrar de algo ou avisar Cláudio de alguma coisa, André deixava um bilhete colado na porta do guarda-roupa. “É um lugar que sempre está à vista.”, explicava quando lhe perguntava de onde havia tirado aquela idéia. E não adiantava tentar mudá-lo. Certa vez comprou-lhe uma agenda. André a usara tranqüilamente. Anotara tudo: seus compromissos, suas idéias, o que deveria lembrar de fazer ou pedir para que Cláudio o fizesse. Mas era só. Lembrara de anotar, mas esquecera de olhar o que tinha anotado. Isto quando lembrava de levá-la consigo. Chegou a perdê-la no supermercado e nem se deu conta. Depois disso, desistiu e acabou tendo que se acostumar com aqueles pedaços de papel pregados na porta do guarda-roupa.&lt;br /&gt;“Cláudio,&lt;br /&gt;Não se esqueça de ir ver se tudo está pronto.&lt;br /&gt;Confirma com todo mundo pra estarem aqui por volta das 19:00.&lt;br /&gt;Não esquece, viu!&lt;br /&gt;André”&lt;br /&gt;Sorriu. Como ele sabia que passaria por lá. E se não passasse? Podia ter ligado. Mas não adiantava. Tudo para ele era por bilhetes. Olhou mais uma vez para aquele pedaço de papel. Pensou. Não sabia se deixava um respondendo. “Bilhete resposta!” Era demais. Arrancou-o com a mão esquerda e com a direita abriu a porta ao lado. Era melhor avisá-lo pessoalmente. Pegou uma camisa preta. Abaixou e puxou uma calça também preta. “Clássico, não?”, pensou enquanto colocava a roupa dentro da mochila. Não era bem isso. Faz alguns anos que começou a reparar que somente comprava roupa escura. Independente da cor, deveria ser escura. Até aprendeu que há uma diferença entre preto, chumbo e grafite. Sutil, mas... Ficou um tempo com aquilo na cabeça. Pensou, pensou e pensou de novo. Mas não entendia. Até que um dia descobriu. Tinha tomado aversão às cores claras devido a sua profissão. Só usava branco o dia inteiro. Branco, branco, branco. Aniversário, natal, amigo invisível, só ganhava roupa branca. Até seu ovo de páscoa era de chocolate branco. Inconscientemente havia se tornado um revolucionário. Um rebelde. Naquela idade um rebelde. E por causa do branco! Nem ele acreditava no que havia se tornado. “Mas é a vida, né?”, dizia para se confortar. Talvez alguém pudesse explicar ...Voltou a si. Não tinha tempo para ficar ali parado, repensando mais uma vez aquilo. Pegou tudo, fechou a porta do guarda-roupa. Correu para o quintal. Tinha de por água nas plantas. Eram somente alguns poucos vasinhos que sobreviviam nem Deus sabia como. Passava meses sem se lembrar deles. Quando ia ver, uns tantos já haviam secado; esturricado seria a palavra certa. Outra época aguava tanto que os pobres coitados viviam afogados em água. Entre mortos e feridos se salvaram alguns poucos, três para ser exato: um cacto, que ficava no local onde mais batia sol; um vaso com uma flor, que nem ele sabia o que era e um pé de pimenta que apesar de nunca ter dado umazinha sequer, pelo menos ainda estava verde. Os três sobreviventes, como foram apelidados por André. Ao terminar, fechou a porta e foi direto embora. O resto, outro dia arrumava. Olhou no relógio. Tinha que ir ainda ao centro da cidade, resolver tudo o que faltava e voltar. Isto em exatamente uma hora e meia. “Nem quero pensar nisso.”, suspirou enquanto subia no ônibus.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35633147-116027687817126752?l=textosecia.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosecia.blogspot.com/feeds/116027687817126752/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=35633147&amp;postID=116027687817126752&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/116027687817126752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/116027687817126752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosecia.blogspot.com/2006/10/02.html' title=''/><author><name>Adriano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11915479602406072650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='08821558890715421967'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35633147.post-116018994964992589</id><published>2006-10-06T23:57:00.000-03:00</published><updated>2007-09-05T23:15:15.698-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#663333;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;01.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Aquele era mais um de diversos dias que ainda viriam, pelo menos para Cláudio. Levantara-se já há alguns minutos. Estava na cozinha preparando o café. Esta não era uma de suas funções, mas gostava de cozinhar. Não que soubesse fazer muitas coisas, eram apenas algumas receitas que qualquer pessoa que morasse sozinha saberia fazer. Preparara a mesa: copos, xícaras, pratos... Nada de mais. Eram quase oito horas. Terminou o café, pegou o jornal que deixara na sala e seguiu pelo corredor.&lt;br /&gt;Tudo era muito discreto, esteticamente limpo: cores claras, poucos objetos, basicamente de metais e de formas retas. No começo, estranhara um pouco. Sua casa era um depósito de coisas: poucas combinavam, metais e madeiras conviviam em um mesmo espaço; era um retrato de sua vida, dos lugares em que viveu, das pessoas com que conviveu. “É como se minhas lembranças tivessem saído da minha memória e caído enquanto eu andava”, brincava. Agora até já se acostumara a andar sem tropeçar em algo. “Você tem que conhecer o dono da casa, para depois criticar alguma coisa. Simplesmente moramos onde podemos ser nós mesmos”.&lt;br /&gt;Encontrara a porta entreaberta ao final do corredor. Estava como no dia anterior, e no anterior e no anterior.... Entrou empurrando-a com a ponta do jornal. Jogou-o em um canto da cama e seguiu em frente, em direção às cortinas.&lt;br /&gt;“Bom d...”&lt;br /&gt;“Já estou acordado, Cláudio.”&lt;br /&gt;Parou surpreso, ainda com as mãos nas cortinas. Virou apenas a cabeça, tentando localizar onde Eduardo poderia estar.&lt;br /&gt;“Então tá, ranzinza!”, disse largando as cortinas como estavam. Respirou e com passos largos voltou até a porta, mais precisamente até a poltrona que ficava ao lado da mesma. Parou e ficou olhando para Eduardo.&lt;br /&gt;Era incrível como alguém de sua idade podia ser daquele jeito. Eduardo tinha pouco mais que vinte e seis anos de idade, mas parecia ter muito menos, tanto que Cláudio, que era alguns anos mais velho que ele, demorou a aceitar a idade dele. Não que tivesse de aceitar algo. Era apenas maneira de falar. É que não se conformava. Eduardo tinha feições muito mais jovens que sua idade. Poderia muito bem se passar por um adolescente de talvez dezenove ou até mesmo dezoito anos. “Principalmente por causa de seus olhos. Que isso, você nunca se olhou no espelho não, Eduardo? Você tem um jeito de olhar diferente. Sei lá. É porque estes olhos azuis são tão... seu jeito é tão... Ahh! Sei lá! Dá vontade de te pegar no colo. Hahaha. Você tem tanta sorte....” era o que sempre dizia. Até que um dia se acostumou e parou de querer mudar aquilo.&lt;br /&gt;Apesar de sua aparência tão jovem, Cláudio se surpreendia como Eduardo podia ser tão seco e ríspido em seus atos. Nunca havia encontrado uma pessoa tão distante como aquela. Alguns diziam ser discrição, outros falta de educação mesmo. Não sabia. Às vezes se confundia com aquilo: “Como pode ser tão duro consigo mesmo? Tenta viver a vida um pouco, garoto!” Com o tempo, pôde perceber que Eduardo sempre mantinha uma expressão fechada. Encarava tudo com tamanha severidade que acabara esquecendo que não deveria ter todas as respostas. Ninguém esperava isto dele, talvez só ele mesmo. Mal sorria e, ultimamente, passava horas trancado no quarto, sentado naquela mesma poltrona. Tinha dias que ficava escondido atrás da porta entreaberta, tentando entender o que se passava naquela cabeça. “É jovem demais para carregar o peso do mundo em suas costas...” Mas somente pensava. Não se arriscaria a comentar, ainda não.&lt;br /&gt;“Não vai abrir as cortinas não?”&lt;br /&gt;“Não. Se quiser, você que abra!”, disse com ar de deboche. “O café já está na mesa. Eu se fosse você, andava rápido, antes que esfrie.”&lt;br /&gt;“Não tô com fome!”, retrucou virando a cara a fim de desviar do olhar de reprovação que recebia de Cláudio. “Acho que não vou comer nada não.”&lt;br /&gt;“Não começa, não. Tá muito cedo. E, você ainda tem que tomar seus remédios”. Saiu. E quase no fim do corredor gritou “Feliz aniversário, tá!”&lt;br /&gt;Eduardo ainda ficou alguns minutos, sentado no escuro. Detestava quando Cláudio fazia aquilo. “Ele sabe que eu vou acabar indo...”, pensava. Não poderia fazer nada. Nem se quisesse, Cláudio estava certo e ele sabia disso. Como isso o irritava!&lt;br /&gt;“Não sei porque ainda não te mandei embora?”, perguntou do quarto.&lt;br /&gt;“Já mandou. Umas dez vezes. Ou você não consegue ficar longe de mim por muito tempo, ou não encontrou alguém com a minha formação que quisesse bancar babá de um marmanjo.”, ironizou.&lt;br /&gt;“Na verdade não encontrei alguém tão desesperado por emprego que chegasse a bancar babá de um marmanjo”, retrucou já na porta da cozinha.&lt;br /&gt;Eduardo sentou-se à mesa. Não tinha mesmo fome. Não conseguia comer quando não dormia a noite. Só cheiro do café já estava lhe revirando o estômago. Observava Cláudio comendo e um só pensamento lhe corria a mente: “Como ele consegue comer tanto tão cedo? Parecia que há anos não comia. Era inacreditável que ainda fosse tão magro.” Com muito custo pegou uma fatia de melão. Demorou ainda alguns minutos olhando-a, estático, até que, finalmente, se pôs a comer. Bebeu um pouco do suco que estava em seu copo. Pegou outra fatia de melão. Ao final, apanhou os comprimidos que já haviam sido separados, jogou-os na boca e virou o resto do suco que havia no copo.&lt;br /&gt;“Bom garoto, tomou tudinho. Agora o tio vai ter que sai. Você consegue ficar umas duas horas sozinho sem quebrar a casa?”&lt;br /&gt;“Não enche!”, resmungou. Não gostava muito de brincadeiras. Já havia dito para ele. Não adiantou nada, é claro. Quanto mais falava, reclamava, mais tinha que escutar piadinhas durante o dia todo, sobre qualquer coisa. Chegava a ser insuportável. Até que um dia parou de falar, reclamar. E, em conseqüência, sumiram as piadinhas. Pelo menos na maior parte do dia. Só não podia ficar de mal-humor...&lt;br /&gt;“Eu escutei, viu! Mas tô sem tempo. Depois a gente conversa.”&lt;br /&gt;Cláudio pegou sua mochila na sala e saiu. Da cozinha escutou-se a porta fechando. Finalmente teria algumas horas de paz. Apesar de, no fundo, gostar de ter outra pessoa na casa, precisava de silencio naquele dia. Tinha muito que fazer. Olhou para a louça suja e para a mesa de café da manha ou para o resto dela. “Depois ele limpa. Pelo menos fica ocupado quando voltar.” Levantou-se e foi para o escritório trabalhar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35633147-116018994964992589?l=textosecia.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosecia.blogspot.com/feeds/116018994964992589/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=35633147&amp;postID=116018994964992589&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/116018994964992589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/116018994964992589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosecia.blogspot.com/2006/10/01.html' title=''/><author><name>Adriano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11915479602406072650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='08821558890715421967'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-35633147.post-116018946480909095</id><published>2006-10-06T23:42:00.000-03:00</published><updated>2006-10-06T23:54:09.403-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6805/3968/1600/dreamer.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6805/3968/320/dreamer.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#663333;"&gt;&lt;strong&gt;Este blog não é nada mais que aspirações de um sonhador... São textos e nada mais. Aproveitem!&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/35633147-116018946480909095?l=textosecia.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosecia.blogspot.com/feeds/116018946480909095/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=35633147&amp;postID=116018946480909095&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/116018946480909095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/35633147/posts/default/116018946480909095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosecia.blogspot.com/2006/10/este-blog-no-nada-mais-que-aspiraes-de.html' title=''/><author><name>Adriano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11915479602406072650</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='08821558890715421967'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry></feed>