10.
Eduardo não sabia ao certo quantos minutos se passara. Somente quanto a água começou a esfriar foi que percebeu que já estava na hora de terminar o banho... Ou melhor, de começá-lo, pois o máximo que havia feito até aquele momento se resumia a ficar parcialmente imerso em água, contanto os azulejos na parede e torcendo para que aquelas memórias voltassem a se esconder em algum ponto de sua mente. Não haveria muito mais a fazer agora. “Onde estaria Cláudio??? Sempre some quando se precisa dele...” Eduardo precisava de algo ou alguém por perto para fazer aquilo tudo sumir. Não que sentaria com Cláudio e contaria toda a história, desde o primeiro encontro até o último e suas conseqüências... Pelo menos achava que não... Estava um disperso, confuso. E Cláudio era necessário. Sempre teria algum comentário sobre o-filho-da-amiga-da-vizinha-de-sabe-se-lá-quem ou sobre algum-famoso-qualquer-que-fez-algo-em-algum-lugar-e-alguém-acabou-por-registrar-e-vender-para-algum-programa-ou-site-ou-revista-de-fofocas... Ou sobre o nada mesmo. O importante era que Cláudio o manteria ocupado. Focado em assuntos secundários que tomariam sua mente e logo ocupariam todo o espaço. Mas Cláudio não estava por perto. Ele teria que lidar com isso tudo sozinho. O calo da água o ajudaria a relaxar. Só que o calor acabou... O frio chegou e o despertou. Com um leve suspiro, Eduardo levantou-se e, como alguém com pouca vontade de fazer qualquer coisa a mais, esvaziou a banheira e abriu a ducha. O calor da água aos poucos igualou a temperatura em seu corpo e criou aquele ambiente úmido e abafado no banheiro fechado. Infelizmente nada disso foi suficiente para fazê-lo desligar de tudo novamente. Ficou por alguns minutos sentindo a água escorrer por seu corpo. Tentou fechar os olhos para aproveitar o momento e tentar fugir junto com cada gota que sentia. Lembranças revividas trazem imagens muito nítidas. Ainda não poderia se refugiar em si mesmo... “Não há mais nada a se fazer mesmo...”
Abriu os olhos. Procurou o sabonete e a bucha. Resolvera terminar com aquele banho. Ensaboou-se. Esfregou o mais forte que podia. Talvez pudesse limpar aquelas imagens de seu corpo e afogá-las ralo abaixo. Fechou a ducha. Pegou a toalha. Pô-se a se enxugar em meio ao vapor contido no banheiro fechado. Foi só então que notou que havia se esquecido de pegar roupas limpas. “Ainda bem que Cláudio não estava em casa. Senão iria se divertir ao me ver correndo enrolado na toalha...” divertiu-se. Conseguira brincar um pouco consigo. Um primeiro sinal de que as coisas já estavam começando a voltar ao lugar. Parou em frente ao espelho embaçado. A imagem destorcida parecia a mesma de anos atrás... Mesmo sem foco por causa da umidade acumulada na superfície do espelho, era ainda capaz de enxergar os olhos vermelhos de anos anteriores... As olheiras resultantes de noites não dormidas... O rosto cansado e quase sem vida... Mas não era mais um menino. Bem ou mal havia crescido! Teria que continuar a conviver com aquilo de uma maneira ou de outra. Passou a mão pelo espelho. Certificou-se se a toalha estava bem presa na cintura e foi em busca de uma roupa antes que Cláudio chegasse.
Eduardo não sabia ao certo quantos minutos se passara. Somente quanto a água começou a esfriar foi que percebeu que já estava na hora de terminar o banho... Ou melhor, de começá-lo, pois o máximo que havia feito até aquele momento se resumia a ficar parcialmente imerso em água, contanto os azulejos na parede e torcendo para que aquelas memórias voltassem a se esconder em algum ponto de sua mente. Não haveria muito mais a fazer agora. “Onde estaria Cláudio??? Sempre some quando se precisa dele...” Eduardo precisava de algo ou alguém por perto para fazer aquilo tudo sumir. Não que sentaria com Cláudio e contaria toda a história, desde o primeiro encontro até o último e suas conseqüências... Pelo menos achava que não... Estava um disperso, confuso. E Cláudio era necessário. Sempre teria algum comentário sobre o-filho-da-amiga-da-vizinha-de-sabe-se-lá-quem ou sobre algum-famoso-qualquer-que-fez-algo-em-algum-lugar-e-alguém-acabou-por-registrar-e-vender-para-algum-programa-ou-site-ou-revista-de-fofocas... Ou sobre o nada mesmo. O importante era que Cláudio o manteria ocupado. Focado em assuntos secundários que tomariam sua mente e logo ocupariam todo o espaço. Mas Cláudio não estava por perto. Ele teria que lidar com isso tudo sozinho. O calo da água o ajudaria a relaxar. Só que o calor acabou... O frio chegou e o despertou. Com um leve suspiro, Eduardo levantou-se e, como alguém com pouca vontade de fazer qualquer coisa a mais, esvaziou a banheira e abriu a ducha. O calor da água aos poucos igualou a temperatura em seu corpo e criou aquele ambiente úmido e abafado no banheiro fechado. Infelizmente nada disso foi suficiente para fazê-lo desligar de tudo novamente. Ficou por alguns minutos sentindo a água escorrer por seu corpo. Tentou fechar os olhos para aproveitar o momento e tentar fugir junto com cada gota que sentia. Lembranças revividas trazem imagens muito nítidas. Ainda não poderia se refugiar em si mesmo... “Não há mais nada a se fazer mesmo...”
Abriu os olhos. Procurou o sabonete e a bucha. Resolvera terminar com aquele banho. Ensaboou-se. Esfregou o mais forte que podia. Talvez pudesse limpar aquelas imagens de seu corpo e afogá-las ralo abaixo. Fechou a ducha. Pegou a toalha. Pô-se a se enxugar em meio ao vapor contido no banheiro fechado. Foi só então que notou que havia se esquecido de pegar roupas limpas. “Ainda bem que Cláudio não estava em casa. Senão iria se divertir ao me ver correndo enrolado na toalha...” divertiu-se. Conseguira brincar um pouco consigo. Um primeiro sinal de que as coisas já estavam começando a voltar ao lugar. Parou em frente ao espelho embaçado. A imagem destorcida parecia a mesma de anos atrás... Mesmo sem foco por causa da umidade acumulada na superfície do espelho, era ainda capaz de enxergar os olhos vermelhos de anos anteriores... As olheiras resultantes de noites não dormidas... O rosto cansado e quase sem vida... Mas não era mais um menino. Bem ou mal havia crescido! Teria que continuar a conviver com aquilo de uma maneira ou de outra. Passou a mão pelo espelho. Certificou-se se a toalha estava bem presa na cintura e foi em busca de uma roupa antes que Cláudio chegasse.