12:30. Provavelmente já estariam almoçando se não tivesse se atrasado. O dia estava prometendo imprevistos. Eduardo ainda se encontrava trancado no escritório. Não tivera coragem de ir perturbá-lo uma vez que fosse. Contudo esse isolamento lhe garantiu livre acesso aos demais ambientes e aos seus respectivos móveis e objetos. Isso incluía a sala e um certo envelope. Preferindo ter certeza de que Eduardo não o pegaria bisbilhotando, acabou por se entreter na cozinha. Iria fazer só uma macarronada. Depois descascou algumas batatas, cortou-as e as fritou. Para completar, fez uma salada com algumas verduras e legumes – os preferidos de Eduardo, claro, e espremeu algumas laranjas. Distraiu-se tendo certeza de que o molho estava bem temperado, as batatas crocantes, a salada suculenta e o suco gelado e doce na medida certa. Tudo para agradar Eduardo e afastar o que quer que fosse que houvesse retirado o brilho daqueles olhos.
Agora estava tudo pronto. Iria chamar Eduardo e aproveitaria para tentar descobrir o que se passava. Silenciosamente dirigiu-se a sala. Ao local exato onde avistara o envelope pela primeira vez. Abaixou-se. Não havia remetente que o pudesse ajudá-lo a entender o que se passava. Sentiu-se desanimado. Observou ao seu redor. As almofadas no sofá. As folhas de jornais. “Haveria algo ali capaz de indicar o que se passa??” duvidava. Sentou-se na ponta de uma das almofadas. Teria que se conformar. Provavelmente nunca saberia o que se passou ali enquanto estava fora. Com um leve suspiro, pôs-se a arrumar a bagunça deixada por Eduardo. Pegou o envelope primeiro; o jornal depois. Entre uma folha de jornal e outra viu algo reluzir. Não sabia ao certo o que era. Esticou um dos braços para alcançá-la.
“Olha só a cara de menino...”, disse em voz baixa. “Olha só que safadinho!”, continuou sorrindo, referindo-se a menina com a qual se encontrava abraçado na foto. Estava tão acostumado com a imagem séria, de ar pesado que carregava atualmente que, para Cláudio, era curioso ver Eduardo tão descontraído. Pôs a foto a seu lado e continuou a dobrar folhas de jornais. Levantou-se e as deixou no aparador. Voltou-se novamente à sala. Viu um pedaço de papel caído, perto de onde estava. “Deve ter caído de alguma das folhas do jornal”, pensou ao se aproximar. Estranhou ler apenas “Feliz Aniversário” em um dos lados. Pesou as informações. O envelope, a foto e o bilhete estavam relacionados com o estranho humor de Eduardo. Teria de saber o que se passava. Levantou-se e foi ao seu encontro, deixando o almoço esfriando em cima da mesa da cozinha.