18.
13:10. Os intervalos para almoço já estavam quase terminando. André já havia ido à lanchonete da esquina e em menos de dez minutos estava de volta à empresa, tentando aproveitar ao máximo o tempo que lhe sobrara para não se atrasar no final da tarde. Laura, como em todo horário de almoço, sentou-se sozinha na praça em frente à editora, em um banco qualquer a sombra de uma árvore qualquer, desta vez se deliciando com a salada que havia preparado na noite anterior e que havia deixado, enquanto não chegava seu intervalo para almoço, dentro da geladeira, na sala de refeições destinada aos funcionários da editora. Fernanda observava pacientemente o vapor que subia lentamente acima da pequena xícara de chá que pedira momentos antes. Aproveitava a quietude da praça para se permitir alguns minutos do mais puro e relaxante nada. E assim, cada um, a sua forma, preenchia os minutos que antecediam o início de mais um período de trabalho antes de se prepararem para a festa surpresa logo à noite.
Eduardo e Cláudio ainda compartilhavam alguns longos minutos a mesa. Não havia muito tempo que se sentaram à mesa, em cantos opostos. A refeição preparada por Cláudio estava um tanto agridoce e constrangedoramente fria, apesar dos vapores ainda se manifestarem em um canto ou outro das panelas. Eduardo fixou os olhos no pouco de comida que havia em seu prato. Evitava ao máximo que seu olhar e o de Cláudio se cruzassem. Não queria um segundo ato. Cláudio o fitava entre um e outro momento. Podia-se até pressupor não haver mais ninguém em toda a casa. “Como pode agir assim? Ignorar tudo o que acontece ao seu redor?” intrigava-se. Cláudio não acreditava que alguém pudesse ser tão inatingível assim. Eduardo mesmo já lhe havia provado que não o era. Ainda havia frestas em sua redoma de proteção, pelas quais incômodos feixes de realidade conseguiam lhe retirar o ar.
“Nada disso! Pode comer mais alguma coisa. A tarde promete ser longa...” disse Cláudio numa tentativa de diluir o peso do ar que os cercava. Mas nem assim conseguiu obter um gesto sequer indicativo de que Eduardo estivesse ciente de sua presença naquele cômodo. E nem teve tempo de uma segunda tentativa. Logo, Eduardo teria se levantado, buscado um pouco de água a poucos centímetros de onde Cláudio se encontrava e voltado ao seu mundo de vocábulos, de regras gramaticais e de tudo mais que tanto apreciava. Sozinho, logo Cláudio concluiria que, assim como a todos os outros, mais um período se anunciava, trazendo mais a ser feito. Uma fração a mais do dia. Um passo que aproximava a noite. Noite esta que abrigaria uma comemoração sobre a qual Cláudio não tinha mais certeza.
13:10. Os intervalos para almoço já estavam quase terminando. André já havia ido à lanchonete da esquina e em menos de dez minutos estava de volta à empresa, tentando aproveitar ao máximo o tempo que lhe sobrara para não se atrasar no final da tarde. Laura, como em todo horário de almoço, sentou-se sozinha na praça em frente à editora, em um banco qualquer a sombra de uma árvore qualquer, desta vez se deliciando com a salada que havia preparado na noite anterior e que havia deixado, enquanto não chegava seu intervalo para almoço, dentro da geladeira, na sala de refeições destinada aos funcionários da editora. Fernanda observava pacientemente o vapor que subia lentamente acima da pequena xícara de chá que pedira momentos antes. Aproveitava a quietude da praça para se permitir alguns minutos do mais puro e relaxante nada. E assim, cada um, a sua forma, preenchia os minutos que antecediam o início de mais um período de trabalho antes de se prepararem para a festa surpresa logo à noite.
Eduardo e Cláudio ainda compartilhavam alguns longos minutos a mesa. Não havia muito tempo que se sentaram à mesa, em cantos opostos. A refeição preparada por Cláudio estava um tanto agridoce e constrangedoramente fria, apesar dos vapores ainda se manifestarem em um canto ou outro das panelas. Eduardo fixou os olhos no pouco de comida que havia em seu prato. Evitava ao máximo que seu olhar e o de Cláudio se cruzassem. Não queria um segundo ato. Cláudio o fitava entre um e outro momento. Podia-se até pressupor não haver mais ninguém em toda a casa. “Como pode agir assim? Ignorar tudo o que acontece ao seu redor?” intrigava-se. Cláudio não acreditava que alguém pudesse ser tão inatingível assim. Eduardo mesmo já lhe havia provado que não o era. Ainda havia frestas em sua redoma de proteção, pelas quais incômodos feixes de realidade conseguiam lhe retirar o ar.
“Nada disso! Pode comer mais alguma coisa. A tarde promete ser longa...” disse Cláudio numa tentativa de diluir o peso do ar que os cercava. Mas nem assim conseguiu obter um gesto sequer indicativo de que Eduardo estivesse ciente de sua presença naquele cômodo. E nem teve tempo de uma segunda tentativa. Logo, Eduardo teria se levantado, buscado um pouco de água a poucos centímetros de onde Cláudio se encontrava e voltado ao seu mundo de vocábulos, de regras gramaticais e de tudo mais que tanto apreciava. Sozinho, logo Cláudio concluiria que, assim como a todos os outros, mais um período se anunciava, trazendo mais a ser feito. Uma fração a mais do dia. Um passo que aproximava a noite. Noite esta que abrigaria uma comemoração sobre a qual Cláudio não tinha mais certeza.