06.
Não adiantaria correr. Chegaria atrasado mesmo. E certamente Eduardo não estaria nem se lembrando que ele saíra... Estaria tão imerso em seu trabalho que só notaria a sua ausência quando sentisse fome “Na melhor das hipóteses.....” ria consigo. Parou um segundo a frente da entrada do consultório de Fernanda. Olhou as horas no relógio. Respirou. Tirou o relógio do pulso e guardou-o na mochila. Iria mesmo se atrasar....
Entrou e logo escutou um “Querido!!!!!” Era Larissa. Incrível como por causa de Eduardo acabou conhecendo tanta gente... Apesar de não ter a mesma intimidade que possui com Laura, acabou incorporando também Larissa ao seu cotidiano. Ela sempre o encaixava entre um paciente e outro para poder conversar com Fernanda quando se sentia preocupado com Eduardo... “Que que nosso menininho aprontou dessa vez que tá te deixando preocupado?” perguntou enquanto se levantava para abraçá-lo.
“Ela tá ocupada?” perguntou logo, num tom apressado, abraçando-a. “Minuto...” respondeu Larissa sem chegar a sentar. Dirigiu-se ao consultório propriamente dito. Poucos segundos depois, voltou acompanhada e Cláudio, seguindo um gesto de Fernanda, foi ao seu encontro. Ainda fechando a porta desculpou-se “Sei que deveria ter avisado antes, mas acabei me atrasando...” deteve-se ao se deparar com Fernanda sorrindo, observando-o. “Que foi??” perguntou todo encabulado. “Nada...” desconversou. Mal sabia Cláudio o quanto ele era importante para Eduardo. Das poucas vezes que conseguira algumas palavras de Eduardo, não passava mais de cinco minutos sem que este comentasse como Cláudio havia feito isso ou falado aquilo ou como ele simplesmente havia ficado quieto... Provavelmente nem Eduardo tinha consciência de tal importância. Cláudio se tornou o único elo de convívio social de Eduardo. O que já é um avanço para quem não se permite construir qualquer tipo de relacionamento duradouro.
“Fernanda, você vai poder ir hoje?” precipitou-se Cláudio.
“Bem, você sabe que não tenho tanta intimidade assim com Eduardo.....”
“Ou não! Pode muito bem resgatar esse elo.” começou Cláudio. “Sabe como ele não confia nas pessoas e como ele encara o mundo e tudo mais....”
Cláudio tinha realmente um argumento forte. Fernanda havia cansado de tentar explicar que ela e Eduardo não eram mais os mesmo de antes. Fernanda o conhecera criança, ainda mal sabiam falar... Passaram uma boa parte de suas vidas grudados. Fora Eduardo que se apresentara a Fernanda... Bem é o que se pode dizer, afinal bebês não se apresentam! Todos contavam da primeira vez que os dois trocaram alguns olhares...
Seus pais sempre foram vizinhos... Fernanda e Eduardo nasceram quase na mesma época... Somente alguns meses os impediram de dividir ao mesmo tempo a mesma maternidade. Suas famílias viviam juntas, principalmente nos finais de semana. E tudo começou aos sete meses de idade de Eduardo: este fora logo engatinhando e sentando ao lado de Fernanda, quando seus pais o levaram a primeira vez a casa dos vizinhos. Por anos, não mais saiu de seu lado... Ele sempre calado, quieto... Mas sempre por perto. Tão diferente de hoje em dia.... “Você sabe como tudo mudou...” Eduardo a afastara dele. Nada pessoal. Afastara todas as pessoas de si.
Cláudio continuava a olhá-la fixamente a espera de uma resposta. Era nítida sua ansiedade. Havia tanto ainda a ser feito... E contava sinceramente com Fernanda. Ele sabia de tudo o que tinha acontecido. Fernanda fora intimada a se reaproximar de Eduardo. “Afinal numa situação dessas, temos que contar com pessoas de confiança.... Já imaginam que escândalo seria se todos descobrissem sobre Eduardo.... Nenhuma mãe merece um fardo desses....” Fora nessa época que Cláudio entrara na vida de Eduardo: havia sido contratado pra intermediar tudo isso; para que a mãe de Eduardo não precisasse “sofrer tanto” tendo que lidar com esses detalhes da vida do filho. Já era o bastante ter um filho nessa situação.
Ambas as famílias esperavam que essa proximidade passada, existente entre os dois, devolvesse a normalidade a Eduardo. Já Cláudio contava com essa mesma proximidade para convencer Fernanda.
“Ok. Entretanto não espere muito de mim. Não se esqueça de que ele ainda me afasta.”
Cláudio nem precisou responder. Somente concordou em silêncio.
“Às 19:00, ok?” limitou-se a dizer enquanto se levantava.
Fernanda anotou em sua agenda. Não sabia se agia corretamente.... Somente se lembrou daquele menino... e do quanto queria que ele voltasse...
Cláudio apressou-se a se despedir a fim de evitar qualquer arrependimento de Fernanda. Saiu quase correndo do consultório. Acenou para Larissa e se foi. Desistiu de passar no escritório de André. Ligaria para ele confirmando tudo. Nem se preocupou em buscar o relógio dentro da mochila. Tinha certeza de que deveria voltar correndo antes que Eduardo desconfiasse de algo. Logo passaria um ônibus e aproveitaria para descansar um pouco.
Entrou e logo escutou um “Querido!!!!!” Era Larissa. Incrível como por causa de Eduardo acabou conhecendo tanta gente... Apesar de não ter a mesma intimidade que possui com Laura, acabou incorporando também Larissa ao seu cotidiano. Ela sempre o encaixava entre um paciente e outro para poder conversar com Fernanda quando se sentia preocupado com Eduardo... “Que que nosso menininho aprontou dessa vez que tá te deixando preocupado?” perguntou enquanto se levantava para abraçá-lo.
“Ela tá ocupada?” perguntou logo, num tom apressado, abraçando-a. “Minuto...” respondeu Larissa sem chegar a sentar. Dirigiu-se ao consultório propriamente dito. Poucos segundos depois, voltou acompanhada e Cláudio, seguindo um gesto de Fernanda, foi ao seu encontro. Ainda fechando a porta desculpou-se “Sei que deveria ter avisado antes, mas acabei me atrasando...” deteve-se ao se deparar com Fernanda sorrindo, observando-o. “Que foi??” perguntou todo encabulado. “Nada...” desconversou. Mal sabia Cláudio o quanto ele era importante para Eduardo. Das poucas vezes que conseguira algumas palavras de Eduardo, não passava mais de cinco minutos sem que este comentasse como Cláudio havia feito isso ou falado aquilo ou como ele simplesmente havia ficado quieto... Provavelmente nem Eduardo tinha consciência de tal importância. Cláudio se tornou o único elo de convívio social de Eduardo. O que já é um avanço para quem não se permite construir qualquer tipo de relacionamento duradouro.
“Fernanda, você vai poder ir hoje?” precipitou-se Cláudio.
“Bem, você sabe que não tenho tanta intimidade assim com Eduardo.....”
“Ou não! Pode muito bem resgatar esse elo.” começou Cláudio. “Sabe como ele não confia nas pessoas e como ele encara o mundo e tudo mais....”
Cláudio tinha realmente um argumento forte. Fernanda havia cansado de tentar explicar que ela e Eduardo não eram mais os mesmo de antes. Fernanda o conhecera criança, ainda mal sabiam falar... Passaram uma boa parte de suas vidas grudados. Fora Eduardo que se apresentara a Fernanda... Bem é o que se pode dizer, afinal bebês não se apresentam! Todos contavam da primeira vez que os dois trocaram alguns olhares...
Seus pais sempre foram vizinhos... Fernanda e Eduardo nasceram quase na mesma época... Somente alguns meses os impediram de dividir ao mesmo tempo a mesma maternidade. Suas famílias viviam juntas, principalmente nos finais de semana. E tudo começou aos sete meses de idade de Eduardo: este fora logo engatinhando e sentando ao lado de Fernanda, quando seus pais o levaram a primeira vez a casa dos vizinhos. Por anos, não mais saiu de seu lado... Ele sempre calado, quieto... Mas sempre por perto. Tão diferente de hoje em dia.... “Você sabe como tudo mudou...” Eduardo a afastara dele. Nada pessoal. Afastara todas as pessoas de si.
Cláudio continuava a olhá-la fixamente a espera de uma resposta. Era nítida sua ansiedade. Havia tanto ainda a ser feito... E contava sinceramente com Fernanda. Ele sabia de tudo o que tinha acontecido. Fernanda fora intimada a se reaproximar de Eduardo. “Afinal numa situação dessas, temos que contar com pessoas de confiança.... Já imaginam que escândalo seria se todos descobrissem sobre Eduardo.... Nenhuma mãe merece um fardo desses....” Fora nessa época que Cláudio entrara na vida de Eduardo: havia sido contratado pra intermediar tudo isso; para que a mãe de Eduardo não precisasse “sofrer tanto” tendo que lidar com esses detalhes da vida do filho. Já era o bastante ter um filho nessa situação.
Ambas as famílias esperavam que essa proximidade passada, existente entre os dois, devolvesse a normalidade a Eduardo. Já Cláudio contava com essa mesma proximidade para convencer Fernanda.
“Ok. Entretanto não espere muito de mim. Não se esqueça de que ele ainda me afasta.”
Cláudio nem precisou responder. Somente concordou em silêncio.
“Às 19:00, ok?” limitou-se a dizer enquanto se levantava.
Fernanda anotou em sua agenda. Não sabia se agia corretamente.... Somente se lembrou daquele menino... e do quanto queria que ele voltasse...
Cláudio apressou-se a se despedir a fim de evitar qualquer arrependimento de Fernanda. Saiu quase correndo do consultório. Acenou para Larissa e se foi. Desistiu de passar no escritório de André. Ligaria para ele confirmando tudo. Nem se preocupou em buscar o relógio dentro da mochila. Tinha certeza de que deveria voltar correndo antes que Eduardo desconfiasse de algo. Logo passaria um ônibus e aproveitaria para descansar um pouco.
1 comments:
uhm...apesar de ainda não
acontecer nada, ao menos
algumas pontinhas já aparecem
...
huahuauha...
...escreve mais logo...
abraçãoooooo
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