08.
Vozes. Vindas de todos os lugares. Dos mais diversos timbres. Ecoando não tão distintas palavras pelo ar.
“Como se pode fazer algo assim....”
“Mas será que é verdade mesmo?”
“Não quero ouvir nada sobre isso... por favor!”
“Com licença...”
“O senhor poderia ser mais claro?”
“Logo hoje.......”
“Eu quero! Eu quero!!”
Não conseguia se concentrar em nada. Havia tanto ainda.... De certa forma até que estava precisando de um pouco disso. Dessa confusão. Assim não se preocupava. Teria alguns minutos. Deixou o corpo escorrer lentamente pelo banco. Recostou a cabeça. Claro que não era confortável. Incomodava de tempos em tempos. Era o melhor que poderia arrumar ali. Sabia. Seus olhos fixaram-se em algum ponto. Somente esperava não estar tão atrasado como achava que estaria. Não. Não quis saber as horas. Preferiu se dedicar a criar uma nova desculpa. Acidente... Ônibus quebrado.... Qualquer coisa capaz de preencher o silêncio que o aguardava. Sim. Sempre era assim. Eduardo não se preocupava nem um pouco com essas questões. Atrasos acontecem e ele sabe disso. Contudo, se Cláudio lhe dissesse uma hora exata.... Eduardo esperava que esta fosse realmente respeitada. Não havia mais acidentes, ou ônibus quebrado, ou seja lá o que for que Cláudio possa pensar. Nada justificaria esse atraso. O problema era que Eduardo não falava nada. Nada mesmo. Nem uma palavra de reprovação Somente uma vez disse algo. “Sabe que acabo aliando meus horários aos seus....” foi o máximo. Foi na primeira vez que Cláudio se atrasou. Depois nenhuma palavra a mais. E esse silêncio incomodava Cláudio. Na verdade deixava-o louco. Eduardo só olhava para Cláudio e esse olhar era capaz de dizer tudo. Tudo aquilo que nunca diria. Cláudio sempre achou que era proposital. “Só pra me deixar furioso.... Ele sabe que não consigo ficar em silêncio por muito tempo.” queixava-se sempre a André. E não adiantava puxar assunto. Quando o fazia, o silêncio se prolongava por dias.
Custaram-lhe várias horas de silêncio até que desenvolvesse uma forma de se justificar sem que se dirigisse a Eduardo. Imaginou o que Eduardo mais gostava de fazer.... Reclamar é claro! Reclamava de tudo. Até quando não tinha sobre o que reclamar, reclamava. Era um vício. “Se ele pode, eu também posso!” concluiu. E um dia arriscou. Tinha se atrasado devido a uma chuva forte. Ao abrir a porta, já se pôs a reclamar em voz alta. Como se debatesse consigo mesmo o ocorrido. “Que droga de chuva! Isso lá é hora de chover! Nem pude fazer o que queria.....” e assim foi. Reclamou por uns dez minutos sem parar enquanto Eduardo o observava do sofá. Foi para o banheiro se secar. De lá para a cozinha. Voltou ao banheiro.... Sempre reclamando. Não houve nesse dia olhar de reprovação nem qualquer forma de recriminação por parte de Eduardo. Curiosamente foi ele quem interrompeu Cláudio. “Ora, ora.... cadê seu bom humor?” debochou depois de se divertir ao ver Cláudio reclamar. Desde então sempre que se atrasava, Cláudio inventa alguma forma de se fazer de irritado. Por fim, até que achava interessante reclamar sobre o que tinha acontecido. Relaxava-o. “E não é que é bom mesmo....” ria consigo mesmo.
Deixou seus pensamentos de lado ao sentir o celular vibrar em sua mochila. Deveria ser André atrás dele. Era outro que não gostava de esperar. Devia estar ansioso. Afinal agora tudo era por conta dele até a noite. Cláudio pôs a mão em cima da mochila. Chegou a abrir o zíper. Parou. Pensou duas vezes. Não estava com paciência. Fechou o zíper. “Uma hora ele desiste.” ponderou. Voltou os olhos para a rua. Logo estaria de volta a casa de Eduardo. Esperaria até André se cansar do celular e ligar lá. E ainda teria de arquitetar algo para quando chegasse. Nada de silêncios hoje. Era a última coisa de que precisava...
Vozes. Vindas de todos os lugares. Dos mais diversos timbres. Ecoando não tão distintas palavras pelo ar.
“Como se pode fazer algo assim....”
“Mas será que é verdade mesmo?”
“Não quero ouvir nada sobre isso... por favor!”
“Com licença...”
“O senhor poderia ser mais claro?”
“Logo hoje.......”
“Eu quero! Eu quero!!”
Não conseguia se concentrar em nada. Havia tanto ainda.... De certa forma até que estava precisando de um pouco disso. Dessa confusão. Assim não se preocupava. Teria alguns minutos. Deixou o corpo escorrer lentamente pelo banco. Recostou a cabeça. Claro que não era confortável. Incomodava de tempos em tempos. Era o melhor que poderia arrumar ali. Sabia. Seus olhos fixaram-se em algum ponto. Somente esperava não estar tão atrasado como achava que estaria. Não. Não quis saber as horas. Preferiu se dedicar a criar uma nova desculpa. Acidente... Ônibus quebrado.... Qualquer coisa capaz de preencher o silêncio que o aguardava. Sim. Sempre era assim. Eduardo não se preocupava nem um pouco com essas questões. Atrasos acontecem e ele sabe disso. Contudo, se Cláudio lhe dissesse uma hora exata.... Eduardo esperava que esta fosse realmente respeitada. Não havia mais acidentes, ou ônibus quebrado, ou seja lá o que for que Cláudio possa pensar. Nada justificaria esse atraso. O problema era que Eduardo não falava nada. Nada mesmo. Nem uma palavra de reprovação Somente uma vez disse algo. “Sabe que acabo aliando meus horários aos seus....” foi o máximo. Foi na primeira vez que Cláudio se atrasou. Depois nenhuma palavra a mais. E esse silêncio incomodava Cláudio. Na verdade deixava-o louco. Eduardo só olhava para Cláudio e esse olhar era capaz de dizer tudo. Tudo aquilo que nunca diria. Cláudio sempre achou que era proposital. “Só pra me deixar furioso.... Ele sabe que não consigo ficar em silêncio por muito tempo.” queixava-se sempre a André. E não adiantava puxar assunto. Quando o fazia, o silêncio se prolongava por dias.
Custaram-lhe várias horas de silêncio até que desenvolvesse uma forma de se justificar sem que se dirigisse a Eduardo. Imaginou o que Eduardo mais gostava de fazer.... Reclamar é claro! Reclamava de tudo. Até quando não tinha sobre o que reclamar, reclamava. Era um vício. “Se ele pode, eu também posso!” concluiu. E um dia arriscou. Tinha se atrasado devido a uma chuva forte. Ao abrir a porta, já se pôs a reclamar em voz alta. Como se debatesse consigo mesmo o ocorrido. “Que droga de chuva! Isso lá é hora de chover! Nem pude fazer o que queria.....” e assim foi. Reclamou por uns dez minutos sem parar enquanto Eduardo o observava do sofá. Foi para o banheiro se secar. De lá para a cozinha. Voltou ao banheiro.... Sempre reclamando. Não houve nesse dia olhar de reprovação nem qualquer forma de recriminação por parte de Eduardo. Curiosamente foi ele quem interrompeu Cláudio. “Ora, ora.... cadê seu bom humor?” debochou depois de se divertir ao ver Cláudio reclamar. Desde então sempre que se atrasava, Cláudio inventa alguma forma de se fazer de irritado. Por fim, até que achava interessante reclamar sobre o que tinha acontecido. Relaxava-o. “E não é que é bom mesmo....” ria consigo mesmo.
Deixou seus pensamentos de lado ao sentir o celular vibrar em sua mochila. Deveria ser André atrás dele. Era outro que não gostava de esperar. Devia estar ansioso. Afinal agora tudo era por conta dele até a noite. Cláudio pôs a mão em cima da mochila. Chegou a abrir o zíper. Parou. Pensou duas vezes. Não estava com paciência. Fechou o zíper. “Uma hora ele desiste.” ponderou. Voltou os olhos para a rua. Logo estaria de volta a casa de Eduardo. Esperaria até André se cansar do celular e ligar lá. E ainda teria de arquitetar algo para quando chegasse. Nada de silêncios hoje. Era a última coisa de que precisava...
1 comments:
continuo mto curioso...
mas mto envolvido por essa história..então ve se escreve partes novas logo...
hehe
abraçãoo e fui
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