11.
Mais uma vez tentou encontrar Cláudio. E nada. Estava disposto a irritá-lo. Mas isso não era tão importante agora. Se houvesse algum problema quanto às cerejas, André poderia recorrer a essa incomunicabilidade de Cláudio para tentar se defender. Mais uma arma a seu favor, agora e sempre! Não havia, contudo, muito com o que se preocupar. Já havia pedido ao boy para comprar morangos no mercado ali perto. E logo logo estaria tudo certo. Ou quase certo. Pelo menos teria todos os ingredientes. Ainda precisava lembrar de buscar o presente que Cláudio escolhera. Sabia como Eduardo gostava de Machado de Assis e tinha conseguido uma edição antiga de Dom Casmurro, daquelas bem amareladas que fariam qualquer um espirrar por semanas, mas que agradaria em cheio Eduardo.
Ainda sentia-se um pouco incomodado com a atenção que Cláudio dava a Eduardo. Passava uma boa parte de suas horas juntos escutando Cláudio falar sobre “aquele menino de olhos azuis que levava tudo muito a sério”. No início, entendia a vontade de comentar de Cláudio: ele sempre se empolgava com qualquer situação nova e ficava horas falando sobre. Mas com o tempo tudo se tornava rotina e Cláudio mudava seu foco. Com Eduardo tudo fora diferente. A empolgação veio depois. A medida que o fora conhecendo. Pela própria natureza de Eduardo, que não permitia ninguém se aproximar, demorou algumas semanas para Cláudio se encantar com a situação. O problema é que não perdeu o encanto. A rotina nunca chegou e André começou a se preocupar. Ainda mais depois de ter ouvido Cláudio descrever Eduardo. E não foi somente um ou duas vezes... Até hoje ele descreve Eduardo em suas conversas, como se André nunca o tivesse conhecido. E não houve nenhum exagero de Cláudio nas descrições. Uma noite que Cláudio precisou ficar com Eduardo, que ardia em febre, André pôde confirmar cada palavra de Cláudio ao ver aquele jovem dormindo pela fresta da porta. “Se doente era tão belo, imagina quando estava saudável?!?!” comentou depois André um pouco inseguro. Foram meses de ciúmes até que o próprio Eduardo ligou para André. “Estou ligando só pra te assegurar que não tenho nenhum interesse no Cláudio. Nem sei como você agüenta ele!!!” disse rindo. E foi só isso. Cláudio jurou que nunca comentou nada. Era bem provável que Eduardo tenha percebido algo em suas palavras ou em seus gestos nas vezes que se encontraram. Ficou completamente encabulado. Como ele, um homem de trinta e dois anos poderia se sentir ameaçado por um menino como Eduardo. Um menino que nem sequer notava quem estava passado ao seu lado, mesmo se esbarrassem nele.
Após alguns momentos que dividiram, André convenceu-se mesmo de que Cláudio não estava interessado por Eduardo, não da forma que lhe ameaçasse. O que Cláudio tinha por Eduardo era algo mais fraternal, um pouco protetor. E com o passar do tempo teve que admitir: Eduardo era sim muito interessante. Seu jeito isolado, mesmo que melancólico aos olhares dos que o cercavam, lhe conferiam uma aura de mistério, daqueles envolventes. Essa sua conclusão só não o deixou mais inseguro porque tinha certeza de que Eduardo nunca se interessaria por Cláudio. Mas de certa forma deixou Cláudio um pouco preocupado. “Seu safado! Ele é só um menino!!” divertia-se ao lembrar da primeira reação de Cláudio ao escutar tal comentário. Os olhos de Cláudio estampavam não repreensão, mas sim ciúmes, o mesmo que tanto criticara em André e nunca admitira em si. Cláudio passou meses escutando André debochar dele por causa de sua reação. André chegou a contar a Eduardo – que também infernizou Cláudio por um bom tempo, se é que ainda não o faz – depois que passaram a ter um convívio um pouco maior – convívio, pois intimidade com Eduardo era praticamente impossível de se compartilhar.
“Seu André, os morangos já estão na geladeira, lá na cozinha... Precisa de mais alguma coisa?”
“Não Vitor, muito obrigado! Ahh, peça, por favor, para Márcia me lembrar antes de ir embora de pegá-los, ok?”
“Sim senhor. Com licença.”
E assim estava tudo da forma como Cláudio queria. Ou pelo menos logo estaria. André voltou a se concentrar em seu serviço. Deixando tudo mais para depois do expediente. “Mas ele ainda vai ouvir quando conseguir falar com ele...” foi seu último pensamento sobre esse aniversário naquela manhã.
Ainda sentia-se um pouco incomodado com a atenção que Cláudio dava a Eduardo. Passava uma boa parte de suas horas juntos escutando Cláudio falar sobre “aquele menino de olhos azuis que levava tudo muito a sério”. No início, entendia a vontade de comentar de Cláudio: ele sempre se empolgava com qualquer situação nova e ficava horas falando sobre. Mas com o tempo tudo se tornava rotina e Cláudio mudava seu foco. Com Eduardo tudo fora diferente. A empolgação veio depois. A medida que o fora conhecendo. Pela própria natureza de Eduardo, que não permitia ninguém se aproximar, demorou algumas semanas para Cláudio se encantar com a situação. O problema é que não perdeu o encanto. A rotina nunca chegou e André começou a se preocupar. Ainda mais depois de ter ouvido Cláudio descrever Eduardo. E não foi somente um ou duas vezes... Até hoje ele descreve Eduardo em suas conversas, como se André nunca o tivesse conhecido. E não houve nenhum exagero de Cláudio nas descrições. Uma noite que Cláudio precisou ficar com Eduardo, que ardia em febre, André pôde confirmar cada palavra de Cláudio ao ver aquele jovem dormindo pela fresta da porta. “Se doente era tão belo, imagina quando estava saudável?!?!” comentou depois André um pouco inseguro. Foram meses de ciúmes até que o próprio Eduardo ligou para André. “Estou ligando só pra te assegurar que não tenho nenhum interesse no Cláudio. Nem sei como você agüenta ele!!!” disse rindo. E foi só isso. Cláudio jurou que nunca comentou nada. Era bem provável que Eduardo tenha percebido algo em suas palavras ou em seus gestos nas vezes que se encontraram. Ficou completamente encabulado. Como ele, um homem de trinta e dois anos poderia se sentir ameaçado por um menino como Eduardo. Um menino que nem sequer notava quem estava passado ao seu lado, mesmo se esbarrassem nele.
Após alguns momentos que dividiram, André convenceu-se mesmo de que Cláudio não estava interessado por Eduardo, não da forma que lhe ameaçasse. O que Cláudio tinha por Eduardo era algo mais fraternal, um pouco protetor. E com o passar do tempo teve que admitir: Eduardo era sim muito interessante. Seu jeito isolado, mesmo que melancólico aos olhares dos que o cercavam, lhe conferiam uma aura de mistério, daqueles envolventes. Essa sua conclusão só não o deixou mais inseguro porque tinha certeza de que Eduardo nunca se interessaria por Cláudio. Mas de certa forma deixou Cláudio um pouco preocupado. “Seu safado! Ele é só um menino!!” divertia-se ao lembrar da primeira reação de Cláudio ao escutar tal comentário. Os olhos de Cláudio estampavam não repreensão, mas sim ciúmes, o mesmo que tanto criticara em André e nunca admitira em si. Cláudio passou meses escutando André debochar dele por causa de sua reação. André chegou a contar a Eduardo – que também infernizou Cláudio por um bom tempo, se é que ainda não o faz – depois que passaram a ter um convívio um pouco maior – convívio, pois intimidade com Eduardo era praticamente impossível de se compartilhar.
“Seu André, os morangos já estão na geladeira, lá na cozinha... Precisa de mais alguma coisa?”
“Não Vitor, muito obrigado! Ahh, peça, por favor, para Márcia me lembrar antes de ir embora de pegá-los, ok?”
“Sim senhor. Com licença.”
E assim estava tudo da forma como Cláudio queria. Ou pelo menos logo estaria. André voltou a se concentrar em seu serviço. Deixando tudo mais para depois do expediente. “Mas ele ainda vai ouvir quando conseguir falar com ele...” foi seu último pensamento sobre esse aniversário naquela manhã.
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